Curitiba - O vazamento de um trecho de suposto depoimento prestado pelo doleiro Alberto Youssef ao Ministério Público (MP) federal sugere que o conselheiro do Tribunal de Contas (TC), Heinz Herwig, pode também ter sido um dos beneficiários do contrato firmado entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Associação dos Diplomados da Faculdade de Economia e Administração (Adifea) da Universidade de São Paulo (USP), no dia 12 de agosto de 2002, no governo Jaime Lerner (PSB).
A Adifea foi contratada sem licitação pela Copel para prestar consultoria numa transação de créditos tributários, trabalho que, segundo se apurou, já tinha sido feito anteriormente por funcionários da própria Copel. Apesar de ser proibido pelo Estatuto da estatal, a Adifea terceirizou o serviço para a Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon) que recebeu da Copel cerca de R$ 16,8 milhões pelo serviço.
No trecho, divulgado ontem pelo site gazetadenovo.com.br, de responsabilidade do advogado Guilhobel de Camargo, Youssef relata ao procurador que o interroga que foi chamado para fazer uma operação de câmbio com o dinheiro repassado para a Adifea em nome da Embracon. O valor total teria sido dividido em três parcelas iguais. Dos R$ 16,8 milhões, ele teria ficado com 2% para a realização do serviço. ''Descontei 2% do valor da operação e trouxe a grana que foi entregue em mãos'', relata o trecho do suposto depoimento.
Youssef teria trocado os cheques da Copel diretamente no caixa do Banco do Brasil (BB). Para isso, ele teria contado com a presença do então funcionário da Copel, André Grochewski. ''Depois eu fui até o escritório e entreguei o dinheiro separado em várias caixas, umas com R$ 1 milhão e outras com R$ 2 milhões'', relata no depoimento. Perguntado quem teria recebido o dinheiro da primeira parcela, Youssef teria dito que seria um conselheiro do TC, cujo primeiro nome era Heinz.
O teor do depoimento que teria sido dado para o MP federal e encaminhado posteriormente para o MP estadual, que investiga o suposto desvio de recursos da Copel, foi refutado ontem pelo advogado do doleiro, Antonio Augusto Figueiredo Basto. Ele negou que Youssef tenha dado qualquer depoimento no caso Copel/Adifea. ''Ele nunca falou nada. Isso não existe! O documento divulgado é falso!'', afirmou ontem o advogado. Youssef já é colaborador da Justiça nas investigações sobre a evasão de divisas através das contas CC-5 para o Exterior. Neste processo, ele revelou ligações entre a diretoria do Banestado e a abertura de contas laranjas na agência em Nova York.
Guilhobel Camargo, autor da publicação, garantiu ontem que o documento é verdadeiro. Ele teria pessoalmente confirmado com todas suas fontes antes de publicar no site um trecho do depoimento. ''Não sou irresponsável. Chequei a veracidade das informações'', garantiu.

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