Curitiba - O doleiro londrinense Alberto Youssef é o novo colaborador da Justiça. Ele estava arrolado ontem pela defesa dos ex-diretores do Banestado, acusados de remessa ilegal de dinheiro para o exterior através das chamadas contas CC-5. Entretanto, fez papel de testemunha de acusação. Youssef confirmou no depoimento que deu ontem na 2 Vara Federal Criminal em Curitiba que os gerentes e diretores do Banestado tinham conhecimento de como as contas eram abertas pela agência XV de Novembro, em Curitiba, e pela agência de Foz do Iguaçu. Elas eram abertas em nomes de laranjas. O dinheiro era geralmente remetido para fora do Brasil com o auxílio de uma casa de câmbio. O procedimento era considerado rotineiro.
Em meio às críticas dos ex-diretores e dos advogados de defesa, Youssef saiu ontem da Justiça Federal sorrindo. Ele não quis falar com a imprensa. Disse apenas que ''não aguentava mais a pressão do processo''. O advogado dele, Antonio Augusto Figueiredo Basto, disse que o doleiro não trouxe qualquer novidade ao processo. ''O que ele falou é de conhecimento público. Ele contou tudo o que sabia sobre o banco. Como as transações eram realizadas. Não dá mais para negar: ele é sim colaborador da Justiça'', afirmou Figueiredo Basto.
No entanto, a colaboração de Youssef vai se restringir ao processo do Banestado. ''Ele não é um delator. Está apenas confirmando os fatos que já foram amplamente divulgados pelo Ministério Público (MP). Ele resolveu ser um colaborador em nome da Justiça e da tranquilidade. Youssef tem sido alvo de críticas e perseguições, está na hora de mostrar que ele nunca foi mentor intelectual de nada. Os fatos estão claros no processo. Youssef não é perigoso e não causa transtorno social.''
De acordo com o MP federal, cerca de US$ 1,9 bilhão teria sido enviado ilegalmente para fora do Brasil através das contas CC-5 entre os anos de 1996 e 1997. A fraude era cometida através da abertura de contas em diversos estados em nome de laranjas. Posteriormente, o dinheiro era transferido para Nova York e depositado em nome de empresas constituídas fora dos Estados Unidos. Em tese, as contas CC-5 seriam de uso exclusivo de estrangeiros residentes no Brasil. A Polícia Federal (PF) estima que mais de US$ 30 bilhões ao todo podem ter sido enviados ilegalmente para o exterior, especialmente através da agência do Banestado em Foz do Iguaçu.
Youssef não é o único colaborador da Justiça. Esta semana, a Folha deu com exclusividade que o ex-diretor de Câmbio e Relações Internacionais do Banestado Gabriel Nunes Pires Neto também passou a ser réu colaborador. Ele revelou fatos novos que levaram à prisão de duas pessoas: o ex-vice-presidente do Banestado Aldo de Almeida Júnior (solto dois dias depois) e o ex-assessor técnico da Diretoria de Câmbio Alaor Alvim Pereira (ainda preso e que teve habeas corpus negado ontem pelo Tribunal Regional Federal).
Além de Youssef, foram ouvidas ontem outras sete testemunhas de defesa.

mockup