Doleiro se recusa a colaborar com CPI
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sábado, 22 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O doleiro Alberto Youssef, preso no dia 2 de novembro em Londrina quando visitava o túmulo da mãe, foi ouvido ontem em Curitiba pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a evasão de divisas através de contas CC-5. De acordo com os documentos divulgados ontem pelos parlamentares, Youssef seria responsável pela movimentação de US$ 876 milhões entre os anos de 1996 e 1997. Um consórcio de doleiros, do qual ele faria parte, teria movimentado nos mesmos anos mais de US$ 1,5 bilhão. As movimentações teriam sido realizadas em nomes de empresas próprias e de pessoas físicas. Uma delas seria Maria Cristina da Silva, correntista que não teria identificação no cadastro da agência de Nova York. Youssef teria movimentado sozinho essa conta, com o auxílio do então gerente do Banestado em Nova York, Ércio de Paula Santos.
Outras contas teriam sido movimentadas pelo doleiro, que teria inclusive aberto a empresa Juni Internacional Corporation com a intenção de fazer vultuosas movimentações financeiras. Os parlamentares apresentaram durante o depoimento diversos documentos, fax e cartões de assinaturas para que Youssef reconhecesse a legitimidade dos papéis e suas próprias assinaturas. Ele alegou que nada falaria sobre o assunto, se reservando o direito de permanecer calado. ''Eu estou respondendo processo e já estou preso pelos fatos que estou sendo acusado'', disse o Youssef. Ele admitiu ser proprietário da Youssef Câmbio e Turismo, em Londrina, e ter tido participações em empresas como a Transportadora Youssef, a June Imobiliária e a Táxi Aéreo Youssef. No entanto, todas as demais empresas já teriam sido vendidas.
Youssef se recusou a assinar o termo de compromisso de dizer apenas a verdade. ''Respeito essa CPI, mas não tenho nada a dizer sobre esses fatos para essa comissão'', declarou ele. Pela manhã, advogados diziam que Youssef não colaboraria com a comissão. Ércio de Paula também se reservou o direito de permanecer calado quando foi perguntado sobre sua ligação com Youssef. Um roteiro de viagens com visitas do ex-gerente para mais de 50 doleiros e empresários ligados ao setor de turismo foi apresentado pelos deputados e senadores da CPMI. Ércio não quis reconhecer o documento, dizendo apenas que o mesmo consta nos autos do processo que tramita pela 2 Vara Criminal Federal em Curitiba.
A recusa de colaborar com a CPMI e prestar esclarecimentos em reunião reservada revoltou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC). ''O depoimento para mim foi elucidador e incriminador. Nada podia ser respondido para que o réu não fosse incriminado judicialmente. Ele deveria repensar sua posição e passar a condição de réu colaborador'', sugeriu a senadora. A sugestão não foi acatada pelo advogado Alessandro Silvério, que na CPI Estadual do Banestado acabou batendo boca com os deputados estaduais e quase foi preso por determinação do presidente Neivo Beraldin (PDT).
''O Brasil foi lesado em bilhões de dólares. Esses depoentes deveriam ter a intenção de nos ajudar a elucidar os casos de evasão de divisas e suposta lavagem de dinheiro. Se esconder sob o manto do direito de se calar, não vai melhorar a situação deles'', apontou a deputada federal Iriny Lopes (PT/ES).


