Reportagem de Policarpo Junior na revista Veja desta semana revela que o doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, considerado o maior do país, está disposto a revelar o que sabe sobre a origem do dinheiro que o PT mandou para o exterior. Sabe inclusive o nome de pessoas e instituições envolvidas na fraude.
Em cartas cifradas enviadas à família, o doleiro afirma que está com medo de morrer, diz-se vítima de uma perseguição e conta que sua vida no presídio em Avaré (SP) virou um inferno desde a publicação da informação de que ele operou com o PT.
Nas cartas que Veja teve acesso, Toninho diz que o PT envia dinheiro ao exterior desde a preparação da primeira campanha de Lula, em 1989. As remessas se multiplicaram na década de 90 e, desde então, concentraram-se em duas pontas: no Trade Link Bank, instituição ligada ao Banco Rural nas Ilhas Cayman, e numa empresa offshore criada no Panamá, que também funciona como um paraíso fiscal.
O repórter Alexandre Oltramari, também na Veja desta semana, revela que os deputados José Janene (PP) e Sandro Mabel (PL) ameaçam revelar que conversaram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre as denúncias de mensalão. A ameaça foi feita durante um jantar na casa de Janene que reuniu, além de Mabel, o líder do governo na Câmara, o petista Arlindo Chinaglia, o hoje ex-deputado Valdemar Costa Neto, o líder licenciado do PMDB, José Borba, e os deputados Nelson Meurer e João Pizzolatti, ambos do PP. Janene é acusado de se beneficiar de pelo menos R$ 4,1 milhões das contas de Marcos Valério no Banco Rural.
O jurista Hélio Bicudo, 86 anos, filiado ao PT há 25 anos, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o presidente de fato do partido. ''É impossível que ele não soubesse como os fundos estavam sendo angariados e gastos e quem era o responsável. Não é porque o sujeito é candidato a presidente que não precisa saber de dinheiro. Pelo contrário. É aí que começa a corrupção.''

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