Sônia Apolinário
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A suposta ligação do doleiro Khaled Nawaf Aragi com o tráfico de drogas dos Estados do Acre e Maranhão vai ser investigada pela polícia simultaneamente às apurações da relação entre Aragi e o traficante Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que controla o comércio de drogas da Favela Beira-Mar, na zona norte do Rio. A informação foi dada anteontem à noite pelo chefe da Polícia Civil, delegado Carlos Alberto de Oliveira, que aguardou a chegada do doleiro ao Rio. Fernandinho está para depor em Brasília, e já adiantou que vai indicar nomes dos donos do tráfico no Rio.
Aragi foi preso, na semana passada, em Ponta-Porã, no Mato Grosso do Sul, perto da fronteira do Brasil com a Bolívia. Ele é dono de uma casa de câmbio e acusado de lavar dinheiro para o traficante Fernandinho Beira-Mar. O doleiro chegou às 22h20 no Aeroporto Santos Dumont, vindo de Corumbá (MS), em um jatinho fretado pelo governo do Rio. Estava escoltado por quatro policiais civis, entre ele, o diretor da Polinter, Cláudio Nascimento e outros 30 agentes. Aragi foi levado para a Polinter.
‘‘A prisão do doleiro é uma grande baixa para o esquema do narcotráfico’’, disse o delegado Alberto de Oliveira. Segundo ele, as investigações já feitas a respeito de Aragi indicam que ele tem cinco contas em seu nome e que é com elas que ele dava legalidade ao dinheiro do tráfico. Ele, porém, não trabalharia apenas para Beira-Mar, atualmente o traficante mais procurado do País. Também esperou pelo doleiro no aeroporto o diretor da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, Ícaro Silva, que comandou as investigações que levaram à sua prisão.
Aragi deverá depor na CPI do Narcotráfico nesta semana. Foi para poder prestar esse depoimento na CPI que ele foi transferido de Corumbá para o Rio. O advogado do doleiro, Edson Guimarães, negou o envolvimento de Aragi com o tráfico de drogas.
Integrantes da CPI do Narcotráfico, reunidos no Rio, não pretendem acompanhar o depoimento que o doleiro vier a prestar na Polinter. Eles vão aguardar o depoimento dele, ainda sem data marcada, na própria CPI. Segundo a assessoria da deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora da CPI, o final de semana será dedicado à leitura do relatório da Polícia.
Dos quatro volumes, dois foram lidos. A previsão é de que na terça-feira a deputada prepare o Relatório do Rio com uma primeira avaliação da situação do narcotráfico no Estado. A deputada ainda irá receber outro relatório sobre o assunto, dessa vez, preparado pelo Ministério Público. Mas, até ontem, o material ainda não lhe tinha sido entregue.

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