O empresário e doleiro londrinense Alberto Youssef, que está preso no 3º Distrito Policial (DP) acusado de ‘‘lavar’’ R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina em licitação fraudulenta, voltou a negar ontem à tarde qualquer envolvimento na abertura e movimentação das contas fantasmas em agências do Banestado de Londrina. O doleiro foi ouvido no Fórum pelo juiz Arquelau Ribas Araújo, da 4ª Vara Criminal, que determinou sua prisão preventiva. O depoimento foi rápido: começou por volta das 14 horas e acabou às 15h20, pouco antes de uma queda de energia no prédio.
‘‘Ele (Youssef) adotou a mesma conduta que teve no Ministério Público (MP) e negou a paternidade (das contas fantasmas)’’, informou o advogado João dos Santos Gomes Filho, que defende o doleiro. Além da conta da empresa ‘‘Freitas & Dutra’’, por onde passaram os R$ 120 mil, Youssef é acusado de ser o responsável por outras 31 contas no Banestado que, juntas, movimentaram R$ 150 milhões de maio de 98 a janeiro de 99.
Gomes voltou a considerar ‘‘absurda’’ a acusação. Para ele, quem pode responder pelas irregularidades é o próprio banco, e não seu cliente. ‘‘O Youssef não tem tem nem tinha a chave do cofre do Banestado’’, destacou.
O juiz informou que, a partir do depoimento, o advogado do doleiro tem três dias para apresentar a defesa prévia e arrolar até oito testemunhas. Hoje, ele deve ouvir outro réu da ação, Maria Regina Fazan Bosqui, que seria gerente da conta da Freitas & Dutra. Os réus José Collete, superintendente regional do Banestado, e Wilson Maeda, gerente aposentado, também seriam ouvidos hoje mas a Justiça não conseguiu citá-los. Se não aparecerem, poderão ser citados via edital.
Amanhã, o juiz espera ouvir o contador Ilvino Fazoli, que teria elaborado os contratos sociais das empresas fantasmas que tinham contas no Banestado, e Arthur Ênnio Federico Júnior, ex-funcionário da Corretora Banestado. O juiz não soube informar se os dois já foram citados.
Outro que prestaria depoimento amanhã é o servidor municipal João Edson Danzinger, que juntamente com Youssef, Antonio Carlos Neri Romero (apontado como segurança do doleiro) e Eroni Miguel Peres (cunhado), tiveram a prisão preventiva decretada. Mas apenas o doleiro acabou preso e os outros estão foragidos.
Outro réu da ação, o ex-diretor do Banestado Gabriel Nunes Pires Neto, mora em Curitiba e por isso será ouvido por carta-precatória. Em depoimento ao MP, o ex-diretor disse que o esquema de contas fantasmas ‘‘pré-existia’’ quando ele retornou no banco, em 97, e que o próprio Youssef teria pedido que ele mantivesse algumas dessas contas para operações de câmbio. Ainda segundo declarou Pires Neto, ele teria sido apresentado ao doleiro pelo superintendente regional José Collete; disse ainda que o então gerente da agência centro, Wilson Maeda, tinha pleno conhecimento das contas em nome de terceiros.
Anteontem, Youssef foi ouvido pelos promotores José Aparecido Cruz, de Maringá, e Cláudio Esteves e Bruno Galatti, de Londrina, para falar de sua relação com ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi. O doleiro confirmou que fez ‘‘empréstimos’’ ao ex-secretários calculados em ‘‘milhões de reais’’. Disse ainda que Paolicchi quitava essas dívidas pessoais com cheques da Prefeitura de Maringá – mas negou que ‘‘lavasse’’ o dinheiro desviado dos cofres públicos. Na saída do depoimento, Gomes informou que no total foram cinco cheques recebidos por Youssef de Paolicchi; já o promotor Cláudio Esteves estimou que teriam sido de 10 a 20.

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