O empresário e doleiro londrinense Alberto Youssef deve voltar a ser preso. A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) negou ontem por unanimidade o habeas-corpus impetrado pela defesa de Youssef. Em dezembro do ano passado, após passar 17 dias preso no 3º Distrito Policial, por determinação do juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau Araújo Ribas, o doleiro obteve a liberdade através de uma liminar concedida pelo TJ. Em ação criminal proposta pelo Ministério Público (MP), ele é acusado de ter movimentado R$ 120 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) de Londrina, em uma conta corrente no Banestado da empresa fantasma Freitas & Dutra.
No final da tarde de ontem, o juiz Arquelau expediu o mandado de prisão e encaminhou à Polícia Civil. ‘‘Se eles mantiveram a prisão, é porque entenderam que esse juízo é competente, caso contrário teriam determinado para a Justiça Federal’’, afirmou o juiz. O delegado-chefe da 10ª Sub-divisão Policial de Londrina, Gilson Garret Algauer, acredita que será difícil cumprir o mandado. ‘‘Tenho a informação de que ele estaria em São Paulo. Vai ser difícil pela forma que foi decretada a prisão. E ele não gostou muito do meu hotel, aqui ele não tem regalia’’, ironizou. Garret determinou ao delegado João Eduardo Carula que iniciasse as diligências.
‘‘Ele ainda não sabe da decisão do TJ. Youssef não está em Londrina, passou a semana fora cuidando de negócios. Vou orientá-lo a se apresentar amanhã (hoje), e eu tenho certeza de que ele fará isso’’, disse o advogado do empresário, João dos Santos Gomes Filho.
O TJ também negou ontem o habeas corpus impetrado por outros três réus na ação criminal, que tiveram a prisão decretada pela Justiça de Londrina no dia 4 de dezembro: o servidor público municipal licenciado, apontado como ‘‘laranja’’ do doleiro, João Edson Danziger, conhecido como ‘‘João Boquinha’’; o segurança Antonio Carlos Neri Romero; e o cunhado de Youssef, Eroni Miguel Peres. Eles são acusados de falsificar documentos para a abertura da conta da empresa fantasma Freitas & Dutra.
O mandado de prisão de Danziger foi cumprido no início de fevereiro pela Polícia Militar. O servidor público ficou 21 dias preso no 2º DP e obteve a liberdade através de um recurso acatado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. ‘‘Ele permanece em liberdade devido a liminar do STJ. É engraçado. O Edson que estava em uma situação complicada, agora está mais tranquilo’’, avaliou o seu advogado, Marco Antônio Busto. Os outros réus continuam foragidos.
Além das investigações no MP, Youssef também está sendo investigado na Polícia Federal. Ele é acusado de ser o reponsável por outras 34 contas fantasmas abertas no Banestado e que teriam lavado mais de R$ 150 milhões maio de 98 a janeiro 99.

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