Doleiro londrinense depõe na Polícia Federal
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quarta-feira, 04 de abril de 2001
Cristiane Oya e Lino Ramos De Londrina 
O empresário e doleiro Alberto Youssef, preso desde terça-feira, prestou depoimento ontem ao delegado da Polícia Federal (PF) Sandro Roberto Viana dos Santos, em cumprimento à carta precatória de Foz do Iguaçu, onde ele está indiciado por evasão de divisas. O doleiro foi ouvido também no inquérito recém-instaurado em Londrina, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), por sonegação fiscal e crimes contra o sistema financeiro e a ordem tributária.
Ele foi indiciado hoje (ontem) aqui em Londrina, mas negou ter conhecimento dos fatos e que não tem envolvimento nenhum com as contas, relatou o delegado. Sobre o indiciamento de Foz, Santos não se manifestou. Essa investigação corre em segredo de Justiça. O doleiro ainda é acusado pelo Ministério Público Estadual de ser o responsável pela conta da empresa fantasma Freitas & Dutra, em que foram depositados R$ 120 mil desviados da Prefeitura de Londrina. O doleiro também teria movimentado R$ 150 milhões em outras 36 contas fantasmas abertas no Banestado.
Ontem, no 3º Distrito Policial (DP), onde está preso, Youssef recebeu a visita mulher, que teria levado alimentos e permanecido cerca de 30 minutos na cela. Após a visita, apesar de ter a passagem livre, Youssef não foi ao pátio, como os outros presos.
Hoje, Youssef deverá prestar depoimento ao promotor da 1ª Vara Cível, Bruno Galati, em cumprimento a carta precatória encaminhada pelo promotor de Maringá, José Aparecido da Cruz, que investiga desvios na Prefeitura de Maringá.
O advogado João dos Santos Gomes Filho, que defende Youssef, deve ingressar hoje no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com um habeas-corpus substitutivo. Segundo o advogado, o doleiro deve ser julgado pela Justiça Federal e não pela estadual, porque está sendo acusado de crimes contra o sistema financeiro. O fato pelo qual ele foi denunciado aconteceu há mais de dois anos. Ele se apresentou nunca fugiu, eu acredito na concessão da liminar.
João Gomes disse ainda que durante os 17 dias em que ficou preso no ano passado, Youssef não teve regalias. A única diferença era que ele recebia comida, mas ele cansou de pagar pizza e deu conselho a outros detentos, alegou.
Integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública voltam às ruas hoje para pedir a prisão dos envolvidos no desvio de recursos da prefeitura. A partir das 17 horas, no Calçadão, eles vão distribuir adesivos com o slogan Cana Neles. O advogado Newton Moratto, integrante do movimento, diz que a campanha está repercutindo na sociedade. As pessoas estão dando apoio à campanha, dizendo que o caso (escândalo AMA-Comurb) não pode cair no esquecimento.


