Doleiro fazia entrega internacional de dinheiro para empreiteira
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domingo, 28 de dezembro de 2014
Folhapress 
São Paulo - Um funcionário do doleiro Alberto Youssef que fez um acordo de delação premiada entregou aos procuradores e policiais da Operação Lava Jato registros que apontam que ele fazia entregas internacionais de dinheiro para a empreiteira OAS, segundo a edição da revista "Veja" publicada ontem. Os investigadores da Lava Jato suspeitam que os recursos eram usados para pagamento de suborno. O entregador de dólares e euros chama-se Rafael Ângulo Lopes. Ele decidiu contar o que sabe sobre o esquema do doleiro para tentar obter uma condenação menor.
Documentos entregues por ele no acordo de delação apontam que houve entregas em Lima, no Peru, na Cidade do Panamá e em Porto da Espanha, em Trinidad e Tobago. O funcionário já havia revelado que o doleiro havia aberto uma conta em nome dele em Miami, para fazer operações nos Estados Unidos. Lopes relatou às autoridades que retirava o dinheiro na sede da OAS em São Paulo com José Ricardo Nogueira Breghirolli, que está preso desde o último dia 14 de novembro. Nesse dia a Polícia Federal desencadeou a chamada sétima fase da Operação Lava Jato, batizada de Juízo Final.
Da sede da OAS o dinheiro era levado até o escritório de Youssef em sacolas pretas, ainda de acordo com o entregador. Ele contou que o dinheiro era preso ao seu corpo e ele viajava até o Rio de Janeiro, onde era mais fácil embarcar sem sofrer revistas porque um agente da PF que trabalhava no aeroporto fazia parte da quadrilha de Youssef. Em Lima, o dinheiro era entregue a um gerente de contratos da OAS chamado Alexandre Mendonça. A entrega ocorria em uma universidade para não provocar desconfianças, segundo o relato do delator.
Em Trinidad e Tobago era outro gerente de contratos da OAS, Marcelo Falcochio Coura, quem recebia os recursos num escritório da empreiteira, de acordo com Lopes. Segundo a revista, a empreiteira conseguiu contratos na América Latina com a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quatro executivos da OAS estão presos na custódia da PF em Curitiba, entre os quais o presidente da companhia, conhecido como Léo Pinheiro. A empreiteira não tem se pronunciado sobre as acusações dos investigadores da Lava Jato desde que a operação foi desencadeada, em março deste ano.


