A reportagem publicada ontem no jornal Folha de S.Paulo estabeleceu uma relação entre o doleiro Alberto Youssef, deputados federais e policiais federais. O jornal publicou uma cópia de um cheque de R$ 5 mil, de julho de 1998, assinado por Youssef, nominal ao Sindicato dos Policiais Federais do Paraná.
Conforme o recibo expedido pelo sindicato, de 28 de julho de 1998, em nome de Youssef Câmbio e Turismo, o dinheiro teria sido utilizado para a fabricação de 2,5 mil cartilhas ''O Brasileirinho''. A cartilha, com informações sobre o combate às drogas nas escolas, foi um projeto implantado pela Polícia Federal (PF) em todo o País. A reportagem não conseguiu localizar o presidente do sindicato, Naziaveno Florentino, mas na reportagem publicada na Folha de S. Paulo, ele afirma que a produção da cartilha foi terceirizada e que na época, Youssef não sofria investigação.
De acordo com o advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, o doleiro contribui com projetos do sindicato desde 97. ''Ele tem um sobrinho que é dependente de drogas, do qual ele (Youssef) é tutor desde a morte de sua irmã. Ele contribui porque eles combatem as drogas'', disse.
A reportagem também afirma que a nomeação do delegado-chefe da PF em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, teria sido feita com a indicação dos deputados José Janene (PPB) e Paulo Bernardo (PT). ''A minha indicação foi feita pelo superintendente no Paraná, Jaber Makul Hanna Saad. Não existe na PF influência política para qualquer cargo de chefia, mesmo porque se isso ocorresse, a PF estaria acabada, porque temos a atribuição de apurar crimes eleitorais'', contestou ele.
O delegado também fez questão de salientar que o projeto ''O Brasileirinho'' não foi implantado em Londrina. Ele apresentou um ofício encaminhado pelo setor de Comunicação Social da PF em Brasília, em julho de 2003, em que é solicitado o apoio à implantação do projeto na cidade. ''Tal solicitação prende-se ao fato de que o referido projeto nasceu em Londrina, se expandiu para outras cidades mas, até hoje, não foi implantado na cidade berço do projeto'', diz parte do documento.
Paulo Bernardo negou que tenha indicado o delegado para o cargo. ''Eu nem conheço o delegado e não tenho nada a ver com a indicação dele. Não sei se o Janene o indicou'', disse. Os telefones celulares de Janene estavam desligados, mas na reportagem publicada na Folha de S.Paulo, ele também negou a indicação. (C.O.)

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