Doleiro deixa a prisão em Curitiba
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O doleiro Alberto Youssef está cumprindo pena em regime aberto. A decisão foi tomada no último dia 11 pelo juiz Carlos Henrique Licheski Klein, da 2 Vara de Execuções Penais de Curitiba. Youssef ficou preso durante um ano e dois meses em regime semi-aberto, acusado pelo crime de sonegação fiscal de R$ 33 milhões em impostos e contribuições, crimes financeiros e remessas ilegais de dólares para o Exterior. Apesar de ter sido condenado a cumprir sete anos de prisão, Klein entendeu que Youssef cumpriu um sexto da pena, teve bom comportamento e tinha direito a uma progressão de regime.
''Durante todo o período em que ficou preso, ele prestou serviços gerais. Inclusive colaborou com a limpeza da unidade penal em que ficou detido'', informou ontem o advogado criminalista, Antonio Augusto Figueiredo Basto. Youssef é o único dos acusados de remessas ilegais de dólares para o Exterior no Caso Banestado que já está cumprindo pena em liberdade. Todos os outros ainda estão em grau de recurso e estão com a situação indefinida. A condenação e o cumprimento de pena do doleiro londrinense somente foram feitos de forma rápida por conta do acordo feito entre ele e a Justiça Federal.
Youssef era réu colaborador da Justiça. Por isso mesmo, ele teve pena reduzida e os advogados nem recorreram da condenação determinada pelo juiz de primeira instância. Os 72 procedimentos criminais feitos contra ele foram unificados e foram estabelecidas regras que agilizaram o cumprimento da condenação. ''A estratégia que usamos foi a de reduzir o sofrimento dele e da família. O caminho foi rápido e ele não deve mais nada para ninguém. O que tem que ficar claro é que Youssef nunca prejudicou ninguém. Ele apenas contou o que sabia e não acusou nenhum inocente. As provas já estavam em posse da Justiça Federal. Ele explicou como as transações aconteciam. Ele não mentiu, nem criou situações constrangedoras. Indicou os caminhos para a investigação'', complementou Figueiredo Basto.
O doleiro volta para Londrina, onde deverá prosseguir sua vida com a família. Ele pretende procurar um emprego e retomar sua vida. ''Ele confessou seus delitos e se arrependeu. Agora ele terá muito trabalho pela frente. Foi duro para ele e para a família. Youssef quer se reestabelecer'', pontuou o advogado. Figueiredo Basto não confirma, mas a informação é a de que o doleiro cumpriu o regime semi-aberto no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil. Até completar o período de sete anos, o doleiro terá que se apresentar mensalmente no Patronato Penitenciário de Londrina. Ele também terá que prestar 200 horas de serviços à comunidade.
Além da condenação, Youssef teve que pagar uma multa de R$ 2,5 milhões como forma de ressarcir os cofres públicos dos valores sonegados à Receita Federal.
A Folha tentou contato com a família de Youssef durante toda a tarde de ontem. A funcionária da casa disse por telefone que não havia ninguém na residência. A reportagem esteve no prédio onde mora a família do doleiro mas o porteiro deu a mesma informação. Ninguém confirmou se Youssef já estava de volta a Londrina. (Colaborou Fernanda Bressan)


