O empresário Alberto Youssef, acusado pelo Ministério Público (MP) de ter movimentado R$ 120 mil desviados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) de Londrina, deu conselhos aos detidos no 3º Distrito Policial (3ºDP), onde ficou preso por 17 dias. A informação foi dada ontem à Folha pelo delegado Valdir Abraão da Silva, logo após Youssef deixar a cela que dividia com cinco detentos.
‘‘Um preso me falou que o comportamento dele era o de aconselhar os demais a procurarem a via normal para sair da cadeia, evitando tentativas de fuga’’, contou o delegado, responsável pela guarda do empresário acusado de movimentar pelo menos R$ 150 milhões em contas fantasmas abertas em duas agências do Banestado de Londrina. Valdir Abraão disse ainda que a presença de Youssef na unidade não mudou a rotina dos presos do 3º DP. Somente na chegada do empresário houve uma ‘‘euforia’’ entre os internos.
O delegado contou que somente no primeiro dia de prisão (5 de dezembro), Youssef ficou junto com acusados de não pagar pensão alimentícia porque havia uma cela interditada em consequência de uma fuga. Do dia 6 até ontem, Youssef permaneceu em uma cela na companhia de dois traficantes, um estelionatário, um assaltante e um detido por porte ilegal de arma.
O delegado disse ainda que a alimentação do empresário era levada pelos familiares. Segundo ele, o preso recebia visitas constantes de seus advogados, mas não tinha celular em sua cela e a TV que assistia era dos outros detentos. ‘‘Ele não fez nenhuma reivindicação, usou o banheiro comum com um chuveiro e uma patente comum e dormiu em cama de concreto’’, garantiu.
Segundo o delegado, Youssef estava disposto a deixar o distrito pela porta da frente, mas as advogadas Desirre Gomes e Márcia Costa - que acompanharam o empresário - preferiram evitar o contato com a imprensa. Ele fez a barba enquanto aguardava a chegada da defesa. Além das contas fantasmas abertas no Banestado, Youssef também é acusado de manter negócios com o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, que teve menos sorte e vai passar o Natal preso. (L.R.)

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