Dólares de dossiê podem ter vindo do exterior
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sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Mariângela Gallucci<br>Agência Estado 
Brasília - A lei eleitoral proíbe que partidos e candidatos recebam direta ou indiretamente dinheiro de entidade ou governo estrangeiro. Uma das hipóteses que a Polícia Federal (PF) investiga no caso do dossiê contra os tucanos é justamente a de que tenha vindo de fora do País ao menos uma parte do R$ 1,75 milhão que estava com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, que seria usado para pagar o empresário Luiz Antônio Vedoin. No total apreendido, havia notas de dólar num montante de US$ 248 mil.
A PF encontrou indícios de que parte dos dólares entrou no País ilegalmente. As cédulas fazem parte de um lote de US$ 25 milhões fabricado em abril deste ano pelo Bureau of Engraving and Printing (BEP), o equivalente nos EUA à Casa da Moeda. Segundo as autoridades americanas, com base no número de série das notas, o lote foi distribuído para bancos de Nova York e da Flórida. Os maços de dólares estavam identificados com tarjas do BEP. Segundo a PF, pela aparência, as cédulas ainda não haviam circulado e, pelos números de série rastreados, não correspondem a dólares registrados no Banco Central.
Se as apurações comprovarem a origem externa do dinheiro, novos problemas poderão surgir para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Opositores teriam, ao menos na teoria, a oportunidade de questionar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma eventual reeleição do presidente. No entanto, será difícil comprovar que o dinheiro trazido do exterior tinha como destino os cofres da campanha de Lula - e para cassar o diploma de um político eleito é necessário que haja provas dessa ligação.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) criticou ontem a demora do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em identificar e divulgar os nomes das pessoas que sacaram R$ 1,75 milhão, que seria usado para denunciar políticos tucanos.


