Dois votos podem salvar Vieira do impeachment em SC
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de junho de 1997
Agência Folha Florianópolis 
O governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), precisa apenas de mais dois votos para escapar do impeachment. Com a declaração do deputado Ciro Roza (PFL), feita à Agência Folha, de que não vê motivo para enquadrar o governador por crime de responsabilidade, Vieira praticamente pode acrescentar mais um voto aos 11 que lhe garante a bancada do PMDB. Como são necessários 14 votos para ele se manter na chefia do Executivo catarinense, fica faltando o apoio de dois deputados. O bloco que deseja destituir o governador do cargo, acusando-o de irregularidades, possui 22 votos, originários do PPB (11), do PT (6), do PSDB (2), do PDT (2) e do PFL (1).
A aprovação do impeachment exige 27 votos. Portanto, faltam cinco votos para que seja alcançado o quórum de dois terços do plenário da Assembléia, segundo exige a Constituição estadual. Vieira poderá obter os dois votos que lhe faltam (ele tem dito que conseguirá mais do que necessita) entre os seis deputados peefelistas que se mantêm indecisos, ao contrário de Roza, que indica forte tendência pró-absolvição, e de Júlio Teixeira, que foi o autor do relatório da CPI das Letras que pede o impeachment do governador.
A bancada do PFL, fiel da balança na questão do impeachment, está dividida em relação ao voto em bloco, desejado pela cúpula partidária. Há deputados que desejam ter liberdade para se definir diante do problema, o que pode favorecer o governador. O PFL deve definir sua posição no próximo dia 23, quando uma reunião partidária traçará a orientação a ser seguida pela bancada. A reunião será comandada pelo embaixador do Brasil em Portugal, Jorge Bornhausen, a voz mais influente do partido. Na terça, começa a funcionar a comissão especial que examinará o pedido de impeachment e a defesa do governador.


