Com a sabatina do ministro da Justiça, José Gregori, prevista para hoje na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o presidente Fernando Henrique Cardoso começará a efetivar a reforma parcial do ministério anunciada no final do mês passado. A aprovação certa de Gregori para assumir o cargo de embaixador do Brasil em Portugal permitirá, além disso, a reacomodação de forças partidárias no sistema de coordenação política do Palácio do Planalto, o que deve acontecer amanhã, com a posse de dois novos ministros e a transferência do secretário-geral da presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, para o ministério da Justiça.

O processo de mudanças terá continuidade com a demissão do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que deverá deixar o governo amanhã. É praticamente certo que a indicação do seu substituto será feita pela direção do PMDB.

As posses do líder do governo no Congresso, deputado Artur Virgílio (PSDB-AM), na secretaria geral da Presidência, e a de Aloysio Nunes no ministério da Justiça, representam um movimento de peças que podem ser decisivas nessa fase de definição do jogo de alianças partidárias para disputar as eleições gerais de 2002. Além de pertencerem ao PSDB, Virgílio e Nunes tendem a reforçar a posição do presidente Fernando Henrique no trabalho de preservação da aliança.

A mesma interpretação vale para o movimento que atinge os quadros do PMDB e do PFL. A posse do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) no ministério da Integração Nacional, e a designação do deputado Héráclito Fortes (PFL-PI) para a liderança no Congresso, no mesmo dia em que Virgílio e Nunes assumem novas funções, ilustram o objetivo presidencial de reforçar a aliança.

A exoneração do ministro Padilha dá-se em circunstâncias especiais. Ele deixará o governo em paz com o Palácio do Planalto e com a missão de reconduzir para a base governista facções tendentes a abrir uma dissidência no PMDB do Rio Grande do Sul.

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