Brasília - Ainda nem encerrou a batalha junto aos próprios aliados para garantir votos ao candidato oficial do PT à presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), e o Palácio do Planalto já se vê envolvido em outra confusão com líderes de partidos da base governista. Depois de manter a reforma ministerial em banho-maria por sete meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta, agora, as pressões para demitir pelo menos um ministro do PT - Humberto Costa, da Saúde - e outro que considera um dos quadros mais preparados de seu ministério - Ciro Gomes, da Integração Nacional.
''Se o objetivo da reforma ministerial é a governabilidade, o presidente terá de repensar quem são os bons e os maus ministros, porque o relacionamento da base aliada com o governo está péssimo, horroroso'', atesta o líder do PP na Câmara, José Janene (PR).
Segundo o líder, há uma unanimidade contra os ministros da Saúde e da Integração, ambos apontados pelos líderes governistas como campeões de reclamação por descaso, maus tratos e mau atendimento aos parlamentares. O problema é que, de acordo com um dos colaboradores mais próximos de Lula no Planalto, Humberto Costa já é quase um ex-ministro, mas Ciro está firme no ministério.
Além de ter no ministro da Integração um amigo pessoal, Lula sempre se refere a ele como um dos melhores da equipe, a quem encarregou de fazer o único projeto de grande impacto do governo federal: a transposição do Rio São Francisco. De personalidade forte, o ministro chegou ao requinte de demitir ao vivo, diante da platéia que assistia a um debate sobre a transposição, o presidente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), Francisco Guedes.
Bastou Guedes manifestar-se contra o projeto do governo para o ministro ligar imediatamente para seu padrinho político - o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), comunicando que a demissão sumária de seu afilhado era inevitável. Para não criar um problema político com um governador petista, Ciro pediu a Dias que indicasse outro nome para o posto e o governador indicou Luiz Carlos Everton.
Mas os líderes governistas insistem na tese de que, mesmo forte e prestigiado junto ao presidente, Ciro Gomes é um mau ministro na avaliação da base. Tanto que as queixas contra ele e Humberto Costa foram insistentemente levadas ao Planalto. ''Há um ano eu tento uma audiência com esse ministro da Saúde e não consigo ser recebido'', reclamou o líder do PL, Sandro Mabel, ao ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, em uma reunião da base na semana passada. ''Se querem homenagear com cargos ministros que criam problemas para o próprio governo com sua base, melhor seria entregar-lhes uma embaixada'', sugeriu o líder Janene.
Os governistas atestam que alguns ministros, como o petista das Cidades, Olívio Dutra, não funcionaram sequer na operação de emergência montada pelo próprio governo para conquistar votos de aliados ao candidato do Planalto à presidência da Câmara. O ministro da Casa Civil, José Dirceu, recomendou a dois líderes aliados que levassem ''as pendências'' das bancadas ao ministério das Cidades, mas Dutra nem sequer atendeu os deputados ao telefone.
Por outro lado, o PMDB que passou um ano inteiro cobiçando a cadeira de ministro das Cidades, agora trabalha para manter-se onde está: nas Comunicações e na Previdência Social.

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