Dois mil protestam contra Vítor Buaiz
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Agência Estado 
Vitória
Arquivo FolhaCorda bambaBuaiz: demissões não serão suficientes para equilibrar o caixaUma passeata inicialmente contra a falência da rede estadual de saúde do Espírito Santo parou Vitória ontem à tarde. O ato, do qual participaram pelo menos duas mil pessoas, se transformou na maior manifestação contra o governador Vitor Buaiz (PT). O protesto reuniu sindicalistas e funcionários públicos contrários à demissão de 5 mil servidores, anunciada pelo governador para segunda-feira. A declaração de Buaiz à imprensa local de que o estado ameaça falir em setembro, se não reduzir seu déficit mensal de R$ 18 milhões, irritou os manifestantes.
Eram esperadas pelo menos 8 mil pessoas. O movimento chamou a atenção para a falta de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) nos hospitais estaduais, além da falta de médicos e da superlotação na rede pública de saúde. A população deu seu apoio com pedaços de papel picotado jogado dos edifícios do centro da cidade.
As demissões foram anunciadas pelo governo depois do fracasso do Plano de Demissão Voluntária (PDV) feito para reduzir o déficit mensal. Mas os cortes não serão suficientes para reequilibrar a folha de pagamento do Estado, admitiu o secretário-chefe da Casa Civil, Ricardo Ferraço.
O presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz (AL-ES), informou que em torno de 500 dos 74 mil servidores aderiram ao plano. Gratz alertou que os servidores que aderiram foram justamente os de salário muito baixo, com outras fontes de renda, ou os que terão salário melhor no mercado.
Até há pouco tempo aliado de Buaiz, Gratz tornou-se crítico severo do governador. É muito difícil alguma coisa dar certo com Vitor Buaiz, disse o deputado. Ele não tem firmeza nas decisões. O presidente da Assembléia Legislativa lembrou que o governo já tomou R$ 500 milhões em empréstimos com bancos privados e estatais para acertar o pagamento do funcionalismo estadual e ainda assim deve três meses.
Segundo o deputado, a Assembléia aprovou todas as medidas de reforma do Estado propostas por Buaiz, como a criação da Agência de Desenvolvimento do Estado (Aderes), para executar a reforma. Mesmo com a Assembléia tendo dado um cheque em branco para o governo, ele continua fraco e sem rumo.
O protesto não foi visto por Buaiz, que viajou ontem para Brasília (DF). O secretário de Fazenda, Rogério Medeiros, não foi encontrado para responder às críticas do presidente da Assembléia sobre a crise financeira do governo Buaiz.


