Dois anos depois, caso Shirogohan tem 1ª audiência
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quarta-feira, 17 de março de 2010
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Algumas das figuras que marcaram o maior escândalo vivido na Câmara Municipal de Londrina, em 2008, voltaram ontem à pauta do noticiário político na primeira audiência do processo que investiga se um empresário da cidade teve de pagar propina a agentes públicos para obter uma mudança de zoneamento. O caso é um dos mais de 20 supostos esquemas de corrupção denunciados ao Ministério Público (MP), em julho daquele ano, em depoimento do então vereador cassado Orlando Bonilha.
Ao todo, foram tomados os depoimentos de quatro testemunhas de acusação, entre as quais o ex-prefeito Nedson Micheleti (PT). A ação criminal foi proposta em julho de 2008 contra nove parlamentares que teriam se beneficiado do suposto pagamento de propina feito pelo empresário Claudemir Medeiros, proprietário da boate erótica Shirogohan (Zona Leste da cidade), a fim que a então a casa de shows pudesse atuar, naquela região, também como motel.
A audiência foi conduzida pela juíza substituta da 3 Vara Criminal de Londrina, Adriana Ferreira, que designou o próximo dia 9 de junho para oitiva de outros dois nomes arrolados pelo MP - Medeiros e o ex-secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, já que ambos não foram intimados.
Além deles, serão ouvidos oito testemunhas de defesa e os réus, o vereador Renato Lemes (PRB) e os ex-vereadores Sidney de Souza e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Gláudio Renato de Lima (PT), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP), Orlando Bonilha, Henrique Barros e Osvaldo Bergamin (os três, sem partido). À exceção de Bonilha e Vedoato, todos os demais réus compareceram ontem ao Fórum de Londrina, mas acabaram dispensados.
De acordo com a juíza, não havia possibilidade de se inverter a ordem do processo - uma vez que o objetivo era a oitiva de todas as partes, ainda ontem, mas, afirmou, o MP insistiu na tomada de depoimento das testemunhas que faltavam.
Conforme a denúncia proposta pela Promotoria, os parlamentares teriam praticado crime de concussão (extorsão praticada por agente público) a partir de três fortes indícios encontrados nas investigações: a confissão de Bonilha de que houve exigência de propina e que todos os acusados participaram da partilha do dinheiro; o reconhecimento por parte do dono da boate de que foi vítima de achaque e pagou R$ 15 mil para os vereadores; e a participação documentada dos nove vereadores na tramitação do projeto legislativo, aprovado em apenas um dia.
Segundo o MP, a justificativa para se arrolarem o ex-prefeito, o ex-secretário e mais uma testemunha, o delegado da Polícia Federal Sandro Viana, para depor, decorre da participação direta que tiveram em diferentes momentos do processo. O prefeito compareceu ao churrasco que foi oferecido pelo dono da boate aos vereadores; o delegado teria apresentado Medeiros ao secretário de Governo; e o secretário, por sua vez, teria intermediado o contato do empresário com a Câmara Municipal. Os acusados negam o recebimento de propina. Nedson admitiu a participação no churrasco, mas negou que tenha visto comemoração pela lei que beneficiou a boate ou cobrança de propina. ''Participei de forma festiva, apenas, sem nenhum tipo de negociação, em hipótese nenhuma'', resumiu.


