Doentes, quatro dos ex-presos políticos aguardam indenização
Pelo menos quatro ex-presos políticos do Estado estão doentes e precisam de tratamento especializado. A regional do Paraná da Associação Brasileira dos Anistiados Políticos (Abap) teme que a situação se agrave e eles não consigam receber a indenização a que tem direito. Alguns estão em estado lastimável. Tem companheiros que precisam com urgência dos recursos da indenização para garantir atendimento específico, alerta o delegado da Abap no Paraná, Ildeo Manso Vieira.
Ele lembra que as indenizações aos ex-presos políticos do Estado estão previstas na lei de autoria do deputado estadual Beto Richa (PTB), aprovada em 1995 pela Assembléia Legislativa. No ano passado, o governo constituiu uma comissão para avaliar os pedidos e estimava pagar, em maio, R$ 5,94 milhões a 243 ex-presos políticos. O dinheiro, porém, ainda não foi liberado.
Esta semana, em Londrina, o governador Jaime Lerner (PFL) prometeu que fará o repasse imediatamente aos beneficiados, mas ainda não há data definida para a entrega dos recursos das indenizações, que variam de R$ 5 mil a R$ 30 mil.
De acordo com Ildeo Manso Vieira, a expectativa criada em torno do assunto acendeu a esperança de ex-militantes que contam com o dinheiro para custear tratamentos médicos, psicológicos e até mesmo para descansar com mais tranquilidade. Alguns estão em estado lastimável. O pessoal precisa destes recursos para poder se tratar. Tem gente que está na hora da morte aguardando esse dinheiro. Sobre muitos deles eu não tenho autorização para falar, mas existem companheiros necessitando com urgência de suporte psiquiátrico. Estão neuróticos, psicóticos, afirma.
Ildeo Manso diz que aqueles que sofrem de problemas psicológicos não têm acesso a um acompanhamento adequado. O psiquiatra do SUS deixa o paciente mais louco, denuncia. Segundo ele, falta qualificação profissional aos profissionais que lidam com ex-presos políticos. Muitos não são habilitados, não têm qualidade para tratar de quem tem sequelas psicológicas decorrentes das torturas.
Ildeo Manso Vieira cita os londrinenses Antônio Lima Sobrinho, 85 anos, e João Einecke, 53 anos, como exemplos daqueles que têm necessidade de um acompanhamento mais especializado. Sobrinho saiu há poucas semanas do hospital depois de ter sofrido um derrame cerebral. Não anda, fala com dificuldade e, segundo a esposa, Alexandrina Valentim Lima, 61 anos, sofre constantes alucinações e convulsões. Ele ainda lembra muito do período em que ficou preso, relata.
Sobrinho praticamente não sai da cama. A cadeira de rodas conseguida pela família é emprestada e precisa ser devolvida nos próximos dias. Você não sabe alguém que possa nos ajudar?, pergunta dona Alexandrina, à reportagem.
Ela soube pela Folha da possibilidade da Prefeitura de Londrina pagar as indenizações. Antônio Lima Sobrinho, que ficou preso três anos por militar no PCB, tem R$ 30 mil a receber. Deus abençoe.
O ex-militante João Einecke, 53 anos, foi internado ontem na Santa Casa de Londrina com suspeita de ter sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
De acordo com Ildeo Manso, também estão doentes Diogo Gimenez e Ubirajara Moreira, os dois de Curitiba. Eles estão com câncer e precisam operar com urgência. A família autorizou a divulgarmos suas dificuldades, disse.Josoé de CarvalhoEsperandoSobrinho praticamente não sai da cama. A cadeira de rodas é emprestada e precisa ser devolvidaPatrícia Zanin





