Documentos são verdadeiros, diz tesoureiro
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2001
Rodrigo Sais<bR>De Curitiba 
O tesoureiro da campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) à reeleição, Francisco Paladino Júnior, prestou novo depoimento ontem ao Ministério Público (MP) estadual. Paladino confirmou que os 28 documentos originais de posse do MP e que apontam uma movimentação financeira do comitê do PFL não declarados à Justiça Eleitoral passaram por suas mãos durante a campanha do ano passado.
O MP investiga a suspeita da existência de um caixa 2 do PFL. O partido teria omitido R$ 29,8 milhões na prestação de contas feitas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O partido, oficialmente, declarou que gastou R$ 2,8 milhões.
No depoimento, que durou três horas e meia, Paladino deu detalhes sobre a documentação, que foi recebida pelo MP na sexta-feira. Segundo o promotor Wanderlei Carvalho da Silva, as explicações do tesoureiro sobre os recibos, anotações e notas fiscais originais foram bastante detalhadas. ''Ele forneceu informações sobre quem havia entregado os documentos, para onde foram encaminhados, etc. Ele não soube dar mais esclarecimentos sobre somente um ou outro recibo.''
Também prestou depoimento o diretor do Instituto Bonilha, Regis Bonilha, que negou que tenha assinado contrato com o PFL para prestar serviços à campanha. Pelos registros do suposto caixa 2, o instituto recebeu por trabalhos prestados à coligação.
O MP já encaminhou à perícia técnica um recibo assinado por Mauro Mikito, proprietário das empresas Mikito Artes Gráficas e Alka Fotolitos. O recibo, no valor de R$ 142 mil, não confere com a prestação de contas oficial do PFL, que registra o pagamento de apenas R$ 4,8 mil às empresas de Mikito. Em seu depoimento ao MP, o empresário negou-se a fornecer amostras de sua caligrafia para confrontamento com a letra registrada no recibo, mas o MP conseguiu uma autorização judicial para comparar a assinatura de Mikito com sua firma registrada em cartório.
Para o advogado do PFL, Antonio Figueiredo Basto, a investigação do MP não merece crédito até agora. Basto reivindica o direito de ter acesso ao material que está sendo analisado pelos promotores para poder elaborar a defesa do partido. ''Pedimos acesso a esses papéis na sexta-feira, e até agora não recebemos resposta. Não sabemos se eles são fraudados ou não, e de que forma foram obtidos''.
O advogado pretende entrar com um mandado de segurança hoje para ter acesso aos documentos. Segundo o promotor, o MP não pode divulgar alguns documentos para não atrapalhar as diligências que estão sendo realizadas. ''O sigilo é necessário em alguns casos. Mas caso o mandado seja expedido, caberá a nós atender a decisão da Justiça.''
E se o PFL não está satisfeito com a recusa do MP em fornecer documentos, a recíproca é verdadeira. Até ontem os promotores não haviam recebido as notas fiscais e recibos utilizados durante a campanha e citados na prestação de contas ao TRE. O contador do comitê do PFL, Davi Favaretto, havia se comprometido a entregar o material no dia 26 de novembro.
Caso Favaretto não entregue as notas fiscais ao MP, os promotores estudam as medidas possíveis para receberem o material. (Com Agência Folha)


