Documentos mostram destruição no noroeste
Curitiba - Outra área que teria sofrido intensa devastação seria a Fazenda Transval, em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí). Fotos feitas pela Faep mostraram destruição da fazenda e da reserva ambiental. ''Eles exploraram a mata nativa. Fizeram várias queimadas. Encontramos oito bois que foram embolados e queimados vivos. As éguas morreram por falta de comida e de água. E ninguém faz nada'', reclamou. Outras fotos mostradas por Souza revelaram ainda que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se utiliza de defesas caseiras para evitar que haja reintegração de posse. Algumas fotografias mostraram trincheiras montadas nas estradas e bombas caseiras nas cercas para dar choque em quem resolvesse entrar na área.
Destruições de armazéns, implementos agrícolas e casas foram mostradas em várias fotografias tiradas depois de reintegrações de posse cumpridas. Souza denunciou ainda a omissão por parte do governo do Estado que não cumpre imediatamente os mandados da Justiça. ''O governo é omisso e conivente com essa situação'', ponderou Souza. O ruralista disse que, atualmente, 69 áreas estão invadidas no Paraná e possuem mandado de reintegração de posse expedido pela Justiça.
O relator da CPI, deputado Mário Sérgio Bradock (PMDB), se posicionou contrário ao posicionamento do governador Roberto Requião (PMDB) de não mandar cumprir todas as reintegrações de posse. ''O governo anterior não fazia reintegração de posse por covardia. Esse governo não faz por ideologia política, porque simpatiza com o movimento. Eu não concordo com isso. Temos que fazer a ordem imperar sobre a desordem. Se a sociedade não se atentar para isso com urgência, vai haver em breve um confronto armado. Vamos tentar evitar isso. Se o meu partido resolver se opor ao meu trabalho, que me expulse'', afirmou Bradock, integrante da base de sustentação do governo Requião.
Bradock deverá entregar o relatório final da CPI da Terra até o dia 6 de dezembro. Na semana que vem, a CPI deverá fazer visitas a assentamentos, propriedades invadidas e cooperativas do MST em vários municípios paranaenses. (L.P.)





