Documentos complicam ex-diretor do BB
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domingo, 31 de março de 2002
Agência Folha 
Brasília O procurador da República Luiz Francisco de Souza anunciou que vai pedir, nesta semana, a quebra do sigilo bancário de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e arrecadador de doações para a campanha eleitoral do presidenciável tucano José Serra (PSDB) ao Senado em 1994. Ele é acusado de ter recebido R$ 50 milhões das quatro empresas que compraram a Telemar.
Os documentos que comprovariam a denúncia foram enviados a Luiz Francisco pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O procurador afirma ter sido informado por três fontes que os documentos foram repassados ao ex-senador pelo banqueiro Daniel Dantas (Opportunity), que perdeu a disputa pela Telemar.
Cada um dos quatro sócios que compraram a Telemar - La Fonte, Andrade Gutierrez, Inepar a Macal-, em 1998, deveria ter desembolsado R$ 349,3 milhões. No entanto, os papéis que chegaram ao procurador Luiz Francisco mostram que cada empresa pagou R$ 361,8 milhões, R$ 12,5 milhões a mais do que o previsto.
A soma dessa diferença - R$ 50 milhões - seria uma uma suposta comissão paga a Ricardo Sérgio, porque ele teria garantido a participação dos fundos de pensão estatais e de seguradoras do Banco do Brasil na privatização.
O procurador da República também vai pedir a quebra de sigilo bancário das quatro empresas envolvidas na privatização e de uma quinta empresa, a Rivoli Participações. Meses após a privatização, a La Fonte repassou 4,4% das suas ações para a Rivoli.
Essa empresa tem como sócias Célia Regina Aguieiras Veronezi e Mônica Picciarelli de Souza, que trabalham no escritório de advocacia de Luís Rodrigues Corvo - advogado de Ricardo Sérgio em vários processos.
Luiz Francisco afirma que pretende pedir a anulação do processo de privatização da Telemar, caso seja comprovado o pagamento de propina a Ricardo Sérgio. Patrimônio do povo é do povo. E pronto, afirma. Ele disse que recebeu com naturalidade as informações de ACM: Recebo informações de traficantes. Por que não vou receber dele?, perguntou o procurador, que foi o principal responsável pela renúncia do ex-senador.
A coluna No Planalto, escrita por Josias de Souza e publicada na Folha de S.Paulo, revelou, no último dia 17, os resultados de uma auditoria nas declarações de rendimentos de pessoas que coletaram dinheiro para o caixa-dois das campanhas eleitorais de Fernando Henrique Cardoso, feita pela Coordenação de Fiscalização da Receita Federal (Cofis).
Ricardo Sérgio movimentou no biênio 98/99 valor que supera os R$ 4,5 milhões. Descobriu-se o tamanho das contas bancárias do ex-diretor do Banco do Brasil graças às pegadas deixadas pela Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF), o chamado imposto do cheque. Tudo estaria bem, não fosse um detalhe: as declarações do ex-diretor do Banco do Brasil anotam rendimentos incompatíveis com o volume de dinheiro que transitou por suas contas.


