Documento revela estrutura dos porões do poder
O manual de interrogatório de preso político traz em seus anexos três organogramas, que mostram diferentes tipos de organização dos serviços de interrogatório. O anexo número um destina-se a interrogatório em operações militares. Nele está prescrito que o questionário inicial ou tático deve ser realizado pelas unidades. O interrogatório primário, por interrogadores do nível de Brigada. O interrogatório secundário, por interrogadores especializados do Escalão Superior, identificados pela siga USIFA. O interrogatório detalhado deve ser realizado pela retaguarda e os não selecionados devem permanecer no campo de prisioneiros para interrogatórios posteriores.
O anexo número dois mostra a organização de uma unidade do serviço de interrogatório das FFAA (USIFA). Sob um comando, funcionam quatro seções. De apoio de informações, encarregada de controle dos briefings, dos registros e documentos. De controle de prisioneiros, com recepção e deslocamentos. De secretaria administrativa, que cuida da guarda, disciplina, segurança, documentação, médico, acomodações, alimentação e transporte. E de interrogatório, com equipes de interrogatório e duas subseções: a de monitores, que faz o manuseio de equipamentos de monitoração e a técnica, que realiza a instalação e manutenção dos equipamentos técnicos.
O anexo número três trata das fases do interrogatório em operações de segurança interna. Nele mostra-se que as prisões podem ocorrer de três maneiras. Pela polícia ou unidades de PE, que realiza o interrogatório tático no campo. Por equipes de operações especiais, que fazem o interrogatório nas instalações avançadas dos Grupos de Operações Especiais. Ou por equipes de contra-informações, que fazem o interrogatório nas instalações da polícia. Nas três alternativas o prisioneiro poderá ser liberado após este estágio ou ficar detido aguardando processo criminal. Os prisioneiros também poderão ser enviados a um Centro de Interrogatório, que inclui interrogadores militares. (M.O.)





