Curitiba - A empresa Piemonte Construções e Incorporações, de Curitiba, teria cometido sete irregularidades na área do meio ambiente. É o que aponta um relatório preliminar da comissão de sindicância aberta pela Prefeitura de Curitiba com base em informações apresentadas por Rodrigo Oriente, ex-servidor do Executivo e também ex-funcionário da empresa.
Em junho, Oriente protocolou no Ministério Público Federal (MPF) uma representação na qual afirma que, no ano passado, o Comitê Lealdade, formado por dissidentes do PRTB em prol do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), teria usado recursos não declarados pela campanha do tucano. O MPF ainda não concluiu a investigação. A Piemonte foi uma das empresas que doou recursos à campanha de reeleição de Beto.
Em entrevista ontem à Reportagem, o procurador da Prefeitura de Curitiba, Ítalo Tanaka Júnior, informou que, entre 14 situações de supostas irregularidades apontadas por Oriente - envolvendo não só a empresa, mas também o Executivo -, sete teriam de fato apresentado indícios de irregularidades, todos ligados à área do meio ambiente. Os indícios foram constatados por uma equipe formada por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ligado ao governo do Estado, e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
Uma das irregularidades seria o aterramento de um riacho numa área de Campo de Santana, de propriedade da Piemonte. Também haveria irregularidades em cortes de árvores. A Piemonte não retornou as ligações.
Outra questão colocada por Oriente diz respeito a uma creche que a Prefeitura de Curitiba construiu num terreno de propriedade da Piemonte. A sindicância sustenta que não haveria irregularidade, pois a empresa teria doado a área ao Executivo. ''Houve a transmissão de posse do imóvel, mas, por questões burocráticas, falta ainda a escritura'', afirma o procurador.
A sindicância foi aberta em 24 de junho para conclusão em 30 dias, mas o prazo foi prorrogado por mais 15 dias. O relatório final deve ser conhecido na próxima semana. A Promotoria de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente está analisando as supostas irregularidades cometidas pela empresa.
O governo do Estado divulgou ontem que o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) e a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente formaram uma força-tarefa para apurar as supostas irregularidades.

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