Doações ocorriam principalmente nos fins de ano
Curitiba - O deputado estadual Antonio Anibelli (PMDB), que já está em seu sétimo mandato na ALEP, conta que o dinheiro usado nas ''doações'' já foi fruto dos rendimentos obtidos a partir da aplicação da verba do Legislativo em fundos. ''O Aníbal Khury economizava a verba da Assembléia Legislativa e aplicava em fundos. Aquela verba, corrigida, dobrava ano a ano. E no final de ano eles davam R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 30 mil, uma cota, para cada parlamentar indicar entidades''. Segundo ele, os auxílios ocorriam com frequência, ''e principalmente nos finais de ano''. O peemedebista explica que a ALEP emitia um cheque nominal e cruzado para a entidade.
''Depois o Aníbal morreu, mas a prática continuou, com o Nelson Justus, com o Hermas Brandão. Até que o TC proibiu''. Questionado sobre as ''doações'' a municípios da sua base eleitoral, Anibelli se justifica: ''Você só doa para o município onde você conhece a comunidade''.
Ele disse que ''doava'' só para quem ''realmente precisava'' e nega auxílios, por exemplo, para realização de festas regionais, despesa que consta na lista de ''doações'' feitas em nome da ALEP. ''Eu doei dinheiro para os municípios comprarem ambulâncias, cadeiras de rodas, aparelhos auditivos''. Entre os auxílios do peemedebista encontrados pela Reportagem, está o pagamento, de R$ 10 mil, da pintura externa e interna do prédio de uma escola ligada a uma entidade.
Anibelli admite que a função do parlamentar ''não é fazer assistência social'', mas argumenta: ''Os governos dos Estados não são sensíveis à população. Quem é sensível é o deputado, o vereador, o prefeito, que conhecem a realidade. O deputado visita a região e o povo cobra. Quantas ambulâncias nós compramos!''. (C.S.)





