Doação via web deve ser baixa
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de abril de 2010
Lucas de Abreu Maia<br>Agência Estado 
São Paulo - A despeito do empenho em aprovar, no ano passado, a arrecadação eleitoral pela internet, hoje os envolvidos com as principais candidaturas presidenciais não têm esperança de que as doações online façam a diferença em 2010. O entendimento nas campanhas de Dilma Rousseff (PT) e de José Serra (PSDB) é de que, se o dinheiro arrecadado pela web conseguir cobrir as despesas com os sites dos candidatos, ''já estará bom demais''.
A descrença intensificou-se na semana passada, quando foi divulgado que o PV (da pré-candidata Marina Silva) conseguiu arrecadar apenas R$ 2,5 mil por meio de seu site. De acordo com resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas pessoas físicas podem doar via internet. Vem em grande parte desta decisão o desânimo com a arrecadação online. Petistas e tucanos avaliam que o Brasil é um país sem tradição de doação por pessoa física, o que deverá fazer com que a arrecadação na web beire o insignificante. ''O envolvimento dos candidatos com a internet é muito mais uma questão de presença de mídia'', afirma um dos envolvidos na pré-campanha de Serra.
Os partidos duvidam que as doações pela internet tenham impacto até mesmo nas campanhas para o legislativo. A tese é de que, se a corrida presidencial não mobilizar o eleitor a doar, dificilmente um candidato a deputado conseguirá fazê-lo. Acredita-se que, nas próximas eleições, deverá aumentar a importância das doações online. Este, porém, seria um processo lento e que estaria apenas começando.
O Brasil tem uma das eleições mais caras do mundo. A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, custou R$ 91 milhões - recursos vindos na maior parte de doações de empresas.
Obama
A empolgação política com a internet surgiu depois da campanha presidencial de Barack Obama, em 2008. Mais da metade do valor total da candidatura do presidente americano - que ultrapassou os R$ 1 bilhão -foi arrecadada por meio de seu site, em doações pequenas de eleitores.
Scott Goodstein, um dos estrategistas da campanha de Obama, já está trabalhando na candidatura de Dilma. Os petistas defendem que, para conseguir arrecadar pela internet, será necessário que o eleitor se envolva com a candidatura. O principal objetivo da campanha online deverá ser o de mobilizar os internautas favoráveis a Dilma para que saiam às ruas.
Verdes
Sem a estrutura partidária de PT e PSDB, o PV vai na direção oposta e conta com a internet para arrecadar dinheiro. Coordenador da campanha de Marina Silva, o vereador do Rio Alfredo Sirkis (PV) diz acreditar em um aumento nos recursos angariados pela candidata via internet. ''A nossa expectativa é de que, quando a campanha esquentar e quando as doações forem feitas diretamente para a campanha da Marina, o número de doações aumente'', defendeu Sirkis. Os verdes acreditam no discurso ecológico de Marina para mobilizar o eleitorado de classe média - com mais acesso à web. Além das doações diretas, a campanha vai investir na venda de mercadorias online.
As doações via internet passaram a ser permitidas no ano passado, quando o Congresso regulamentou a campanha online. Os eleitores poderão doar por boletos bancários e com cartões de débito e crédito.


