A suspeita de cobrança de propina para facilitar a doação de áreas gera prejuízos para o desenvolvimento econômico de Londrina, já que afetaria diretamente o trabalho para atrair empresas ao município. A análise é do prefeito de Londrina Alexandre Kireeff (PSD), que determinou ontem uma varredura nas concessões já feitas e nas que ainda estão tramitando para identificar indícios de irregularidades.
O prefeito admite que os fatos levantados pelo Gaeco podem atrasar um pouco a tramitação de 12 projetos de lei de concessão de áreas públicas para empresas, das quais onze são no Parque Tecnológico, mas não vai pedir para suspender a tramitação. Um dos projetos beneficia a Artlondre Indústria e Comércio de Artefatos, ligada ao empresário Dorival Pereira, um dos detidos ontem.
Os textos passarão pelo mesmo pente-fino pedido ao presidente da Codel, Bruno Veronesi. "Essa análise vai ser feita em tempo recorde, até para dar suporte à líder do governo (Elza Correia, PMDB)", explica Kireeff. Ele espera que a análise ocorra em "curtíssimo espaço de tempo", mas prega que tem de haver cautela. "Depende da avaliação do Veronesi, mas, com certeza, a tramitação normal é prejudicada."
Levantamento da Câmara sobre a produção legislativa entre 2000 e 2012 mostrou que houve, em 12 anos, 503 doações de terrenos. O relatório final da Comissão de Avaliação e Viabilização de Leis sugere à presidência do Legislativo a criação de uma comissão permanente para acompanhar esses projetos e seu efetivo cumprimento após a sanção.

Acil
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, lamentou ontem que Londrina "voltou a ser manchete policial" e o efeito pejorativo que isso implica à imagem da cidade perante o meio empresarial. "Ainda assim, vamos dar um voto de confiança para a administração do Kireeff, que é séria, apesar de um pouco lenta para tomar atitudes", diz.
Para ele, esse tipo de irregularidade é reflexo da demora na aprovação da Lei de Uso e Ocupação do Solo, que define o zoneamento no Plano Diretor. "A falta do Plano Diretor é o gargalo da cidade, o que facilita os 'ganha-ganha' debaixo do pano", diz.
Kireeff diz que concorda em partes e recorda que "o próprio zoneamento, no ano passado, foi alvo de falcatrua".

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