DOAÇÃO DE TERRENOS - Gaeco investiga propina na Codel; 3 são presos
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sábado, 07 de dezembro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Três pessoas foram presas na manhã de ontem em Londrina por envolvimento em um suposto esquema de cobrança de propina para facilitar a doação de terrenos do município para empresas. O gerente de Desenvolvimento Industrial do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Eduardo Ivan Reale, o empresário Dorival Pereira e a corretora Eliana Teixeira Gonzaga Zamboni foram detidos em casa. A conduta de cada um dos presos será investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público (MP) estadual.
A investigação começou há dois meses quando um empresário procurou o Ministério Público para denunciar o suposto esquema. Policiais do Gaeco cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em empresas, nas casas das pessoas investigadas e no prédio da Prefeitura de Londrina. A ação surpreendeu os servidores que se depararam com os policiais logo nas primeiras horas da manhã. Foram apreendidos documentos e computadores na presença do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), e do presidente da Codel, Bruno Veronesi.
Os mandados de prisão temporária por cinco dias foram expedidos pela 4ª Vara Criminal de Londrina. Reale e Dorival foram encaminhados para o 4º Distrito Policial (DP) e Eliana foi levada para o 3º DP. Eles devem prestar depoimento ao Gaeco na próxima quarta-feira. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos presos.
Indústria metalúrgica
O empresário Dorival Pereira, que ao Gaeco nega ter pago propina, tem interesse direto na aprovação de um projeto de lei ainda em trâmite na Câmara de Vereadores. Trata-se do projeto de lei 289/2013, que prevê a doação de um terreno do município à empresa Artlondre Indústria e Comércio de Artefatos, cujo administrador financeiro é Pereira. A área tem 10 mil metros quadrados e está localizada na Gleba Primavera. De acordo com o projeto de lei, a doação seria destinada à transferência e ampliação de uma indústria metalúrgica.
Outros projetos de lei e doações de terrenos já aprovadas também estão sendo investigados. "Fala-se que teria sido solicitado um volume em torno de R$ 5 mil a R$ 10 mil de empresas para a doação. Não sabemos se esses valores são a título de serviços prestados por uma pessoa que trabalha na área de assessoria para quem pretende obter as doações ou se esses valores são a título de propina", explicou o promotor de Justiça Claudio Esteves.
Conforme Esteves, a facilitação teria sido oferecida a empresários com a ajuda de Dorival Pereira. Em outros casos, os próprios interessados na doação das áreas teriam procurado o esquema para agilizar a tramitação e aprovar as propostas na Câmara. Mas, segundo Esteves, não há indicativo de envolvimento de vereadores.
Kireeff
O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), declarou que vai colaborar com as investigações e punir os envolvidos, caso as irregularidades sejam comprovadas. "Aqui na prefeitura não há espaço para picaretagem, para bandidagem, para a apropriação de dinheiro público. É absolutamente inaceitável pessoas que se atrevem a fazer isso. Vocês podem ter certeza que a prefeitura e a gestão municipal vão ser colaboradoras do Ministério Público e do Gaeco e não vão medir esforços para que essas pessoas sejam punidas", destacou. (colaborou Luís Fernando Wiltemburg/Reportagem Local)
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