Doação de R$ 100 mil ao PT é investigada
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segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O delegado da Polícia Federal (PF), Fernando Lara, informou ontem que está averiguando uma das maiores doações da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT). Conforme a prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral, a WBC Consultoria Empresarial Ltda., de Porto Alegre (RS), contribuiu com R$ 100 mil para a campanha petista. Lara preside o inquérito que investiga as denúncias de irregularidades nas contas oficiais do partido.
A investigação foi motivada por um pedido de providências entregue por Éder Pimenta, que preside o diretório municipal do PSB, para o ex-promotor da 41 Zona Eleitoral, Miguel Sogaiar, no dia 2 de setembro. No documento, Pimenta questiona o valor da doação com base no faturamento da empresa. A legislação eleitoral impõe para pessoas jurídicas o limite de 2% do rendimento bruto no ano anterior ao pleito para doações eleitorais. ''Para doar R$ 100 mil, a empresa deveria ter um lucro bruto de R$ 5 milhões. Pelo perfil da empresa, a gente achou que não dava esse valor. Obtivemos um balancete e é estranho porque a empresa, no ano de 2002, teve um faturamento bruto de R$ 705 mil. No (balancete) de 2003, até abril, o faturamento foi de R$ 283 mil. Por isso, o pedido de providências'', justificou. Pimenta garantiu que a denúncia foi pessoal. ''Como cidadão gostaria que fosse esclarecida essa dúvida'', disse.
Ontem o delegado tomou o depoimento do empresário Marcelo Aguiar de Araújo, proprietário da WBC Consultoria Empresarial, com sede em Londrina. ''Houve uma denúncia que dizia que esta empresa teria uma filial em Londrina'', disse Lara. O empresário garantiu que não tem vínculo com a WBC gaúcha. ''Não tem nada a ver. A minha empresa foi aberta em 2004'', afirmou Araújo, explicando que a sigla significa World Business Chemistry. ''Aparentemente se trata apenas de homônimos. O CNPJ dessa empresa é diferente do que consta na prestação de contas do PT. Vou fazer contato com o empresário (da empresa gaúcha)'', afirmou Lara.
Através do telefone anotado no recibo eleitoral, a reportagem entrou em contato com Waldair Bilhar da Costa, dono da empresa sediada em Porto Alegre, que confirmou a doação. No entanto, Costa afirmou que a doação foi feita para o diretório nacional do PT. ''Eu não doei especificamente em Londrina. Doei para o diretório nacional. Agora, para onde eles mandaram, não fiz questão de vincular. Nem conheço o prefeito'', disse. ''Não fiz nenhuma exigência, para mim poderia ter mandado para qualquer lugar. Interessa que o partido usou e foi declarado'', concluiu.
Ele relatou que tomou conhecimento do destino da doação somente após receber o recibo eleitoral. ''Quando veio (o recibo) vi que consta o nome do prefeito mas para mim não tem problema nenhum.'' O empresário se negou a declinar o nome da pessoa com quem teria negociado a doação para o partido. ''É uma coisa mais íntima'', argumentou.
O empresário gaúcho ainda declarou não haver discrepâncias entre a valor da doação e do rendimento da empresa. ''Não é especificamente para este partido, fiz (doações) para outros também. Em 2004, o faturamento foi de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões'', assegurou, sem entrar em detalhes.
Outro questionamento de Pimenta foi sobre a forma da doação dos recursos. ''O recibo eleitoral do PT assinado pelo Jacks Dias (presidente do diretório municipal) fala que foi em cheque e na prestação de contas aparece em dinheiro'', ressaltou Pimenta. ''Não faço doação em dinheiro, só em cheque, até para controlar. É uma segurança. Normalmente até pego uma cópia'', relatou Costa.


