A maior parte das propostas aprovadas pela Câmara de Vereadores se refere a doações de áreas públicas a particulares, como de praxe nas sessões de final de ano. A matéria que rendeu maior debate e maior atenção do Executivo tratou da doação de 363 mil metros quadrados para a empresa GNB Indústrias de Baterias.
O lote fica na região da Fazenda Três Bocas, entre os distritos de São Luiz e Guaravera (Zona Sul). Boa parte das dúvidas ficou em torno do aumento da doação inicial: seriam pouco mais de 160 mil metros quadrados, o que acabou ampliado, segundo representantes do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), graças à alta declividade e presença de rochas no terreno.
Na sessão, estiveram presentes ainda 15 representantes da comunidade de São Luiz e da empresa, que defenderam a doação como forma de invesimento e geração de empregos para a localidade. Ficou latente a preocupação em descartar a possibilidade de poluição ambiental, já que o Executivo alega ter em mãos pareceres de órgãos ambientais favoráveis à implantação do grupo na zona rural.
Questionado pela vereadora Sandra Graça (sem partido) sobre o percentual em que não haverá edificação, um dos representantes da GNB afirmou que pouco mais de 100 mil metros quadrados, em função das condições do terreno e dos 20% destinados legalmente a reserva ambiental.
Dos populares presentes às galerias com cartazes, o representante dos trabalhadores volantes de São Luiz, Romildo Jacinto Ferreira, afirmou que a maior parte da comunidade é favorável à implantação. Ferreira comentou que uma van de escola municipal levou o grupo até lá, convocados ontem para marcar presença. Em seguida, admitiu: ''Sou a favor da ida da empresa porque gera emprego. Mas falta informação para a comunidade do que é uma fábrica de bateria: ela nem sabe o que é isso. Mas acho que não traz risco, não'', analisou.
O líder do prefeito na Câmara, Lourival Germano, vê no batalhão de doações a possibilidade de crescimento da cidade. Questionado se a ausência de pareceres técnicos em alguns deles - queixa levantada por vereadores da minoria de oposição - pode trazer problemas à administração, no futuro, resumiu: ''Acredito que todas as leis aprovadas são fiscalizadas pelas promotorias, por exemplo. Se muitas empresas nos propõem metas e de repente não cumprem, cabe a esses órgãos de fora cobrar, assim como setores da Prefeitura, também'', definiu, para completar: ''O que a Justiça entender que for necessário explicar, a Prefeitura vai apresentar a documentação necessária''. (J.G.)

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