A aprovação do projeto de lei que repassou ao empresário Marcelo Caldareli uma área de 3.200 m2 às margens do Lago Igapó foi aprovada pela Câmara Municipal em apenas quatro dias, em dezembro de 2005, graças a um pedido de tramitação com ''urgência'' assinado por sete vereadores, e à preferência de votação solicitada pelo vereador Lourival Germano (PT) - à época líder do Executivo. O pedido de urgência recebeu as assinaturas de Osvaldo Bergamin (PMDB) e Renato Araújo (PP) - autor e co-autor do projeto de lei -, e dos vereadores Gláudio Renato de Lima (PT), Sidney de Souza (PTB), Flávio Vedoato (PSC), Jamil Janene (PMDB), e mais um cuja assinatura não foi identificada até o momento. A doação está sob investigação do Ministério Público (MP) por suspeita de pagamento de propina a nove vereadores - cujos nomes constam de uma lista apensada ao inquérito. O documento foi entregue aos promotores pelo próprio Caldareli. Segundo avaliações de mercado, a área vale aproximadamente R$ 480 mil.
O atual presidente da Câmara, Sidney de Souza, alegou que deu apoio ao pedido de urgência ''porque era final de ano''. Questionado sobre a razão da matéria não ter sido examinada com calma no ano seguinte, disse: ''A pergunta não está errada, mas não me lembro dos argumentos. Quem tem que responder isso são os proponentes do projeto''.
O vereador Gláudio Renato de Lima, atual líder do Executivo, disse que ''assinar pedido de urgência todo mundo assina, por cortesia''. Na avaliação dele, isso ''não significa nada''. ''Até projeto que eu voto contra, eu assino''.
Flávio Vedoato também alegou que o apoio à tramitação em urgência é uma praxe. ''Quando um vereador te pede um favor, você faz, principalmente às vésperas do recesso.'' Ele acrescentou que ''nem sabia do que se tratava'' quando assinou a solicitação. ''Mas tem uma coisa, aquilo foi aprovado por 17 votos, se tem nove na lista, tem que pesquisar onde está o restante'', afirmou. Jamil Janene também justificou o apoio ao pedido de urgência alegando que é uma ''coisa normal que se faz em todos os parlamentos do país''.
Já o vereador Lourival Germano disse não se recordar da razão pela qual solicitou que o projeto fosse colocado em segunda votação de forma preferencial - prerrogativa estendida a qualquer vereador. ''Eu não me lembro, não foi uma coisa programada, um fato ou outro me levou.'' Germano, porém, negou que o pedido tenha partido do Executivo. ''Disso eu tenho certeza; não era muito comum acontecer (pedidos de preferência).'' Ele acrescentou que a solicitação fazia parte de um lote de quatro projetos votados naquele dia.
Ontem, a assessoria de imprensa da prefeitura disse que o prefeito Nedson Micheleti e o secretário de Governo, Adalberto Pereira da Silva, não comentariam o teor do pronunciamento do vereador Renato Araújo naquela votação, transcrito em ata, de que a aprovação da doação teve prévia autorização do Executivo. A FOLHA tentou contato ontem, mas não obteve retorno dos vereadores afastados Renato Araújo e Osvaldo Bergamin.

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