Primeiro foi o ''xô, Satanás'' da campanha eleitoral, que deu bem o nível do QI de nossa política, e só faltou trazer o Badan Palhares para identificar os depoimentos sobre tão importante e estratégico assunto. O tinhoso nunca foi tão promovido, o que prova a vocação dos políticos para o supérfluo nervoso.
Depois tivemos o ''xô, pedágio'', fartamente apoiado em outdoors, volantes e oratória incendiária do governador e que não exorcizou as consorciadas e nem fez baixar, como solenemente se comprometera, as tarifas. Não faltou em meio à pregação xiita as cenas de selvageria explícita no cerco ao Legislativo, como se esse já não fosse de uma cumplicidade orgânica a todos os governos, e mais precisamente na invasão pelos caminhoneiros antenados com o PMDB, nas praças de pedágio com o apoio das brigadas dos sem-terra.
Toda essa energia dispersa em demagogia de caráter fascista não teve os efeitos esperados muito menos a tal lei da encampação, também inútil para os fins a que se destinara como fator de pressão. Estamos vendo que em lugar do ''xô'' apenas assistimos um interminável ''show'', mais próximo da preguiça agitada do que do ativismo que aparenta.
Parece incrível que uma causa em que a esmagadora maioria da população está com o governador Requião tudo isso tenda apenas, pela falta de efeitos reais na vida das pessoas, a minar severamente a credibilidade do justiceiro que a abraçou com tanto calor e veemência. Deu para percebê-lo numa amostragem com ouvintes da Rádio CBN Curitiba desta semana quando se procurou saber se a audiência acreditava no sucesso da resistência do governo ao novo aumento do pedágio. A maior parte das pessoas está perdendo a crença, até pela passagem do tempo (e, mais do que isso, a repetição de um discurso que caminha para a entropia), de que o povo levará a melhor nessa contenda.
Como se não bastasse, o novo comandante do Policiamento da Capital, coronel Nemésio Xavier, um dos mais categorizados operacionais da PM, anunciou um ''Xô, Satanás'' em operações frequentes contra a delinquência e portadores de armas. Se botássemos na balança o que mais preocupa o povo saberíamos que a falta de segurança é prioridade maior do que a justa reação ao pedágio. Está aí um caso em que o ''Xô'' jamais será olhado como um show, tal a angústia de todos como reféns da violência.
BIZARRICE - Lula anuncia o ''Fome Zero'' e chegamos ao ''Pib Zero''.
AXIOMA - Com a entrada de Requião, da procuradora de Justiça, da OAB regional e do presidente da Associação dos Magistrados contra as distorções do celebrado Código de Organização e Divisão Judiciárias restabelece-se o equilíbrio. Ele falta quando Requião, sozinho como patriarca do Velho Testamento, quer ditar regras.
GLOSA - O governador diz que não permitirá que transformem a Ilha do Mel num balneário. Mas afinal o que é (e sempre foi) se não balneário? A ilha hoje, como boa parte das nossas praias, deveria chamar-se Ilha da Melda. Que forma com Caiobosta, Matinhosta e Guaratubosta um colar de cloacas. Também as catarinenses (entre elas Camboriosta) são mais escatológicas que ecológicas.
VINHETA - Hoje uma estrela do PT, já despida da tonalidade revolucionária, pode figurar tranquilamente ao lado daquela da Texaco e a de um xerife. O PT hoje é como a vespa que ficou sem ferrão. Mas ferroou os aposentados de novo.
FOLCLORE - Levaram o deficiente visual a Caiobá. Ele respirou fundo e chiou: o barulho é do mar, mas o cheiro é do rio Belém.

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