Imediatamente após deflagrado o golpe, a Junta Militar comandada pelo comandante-em-chefe do Exército, general Costa e Silva, editou o ''Ato Institucional número 1'', que aumentava os poderes do Executivo e cassava os direitos políticos e os mandatos de 102 pessoas por dez anos. Entre eles, o então deputado federal e cunhado de João Goulart, Leonel Brizola; Jânio Quadros; Miguel Arraes e Luiz Carlos Prestes, que eram membros do governo deposto.
Após o golpe, Brizola se tornou o inimigo público número 1 do novo regime. Depois que Jango chegou a Porto Alegre, no dia 2 de abril, Brizola ainda tentou organizar a resistência ao golpe. Mas o 3º Exército aderiu ao novo regime. Enquanto o presidente se exilava no Uruguai, Brizola passou dois meses escondido em fazendas da fronteira e partiu para o país vizinho somente no final de maio.
Mesmo em terras uruguaias, Brizola passou dois anos conspirando contra os militares. Em setembro de 1977, foi expulso do país acusado de violar as normas de asilo.
''O que eu recordo é que a data 31 de março não é verdadeira. A chamada revolução foi a primeiro de abril e eles adotaram o 31 de março porque o primeiro de abril é o dia dos mentirosos, caiu logo no ridículo. É isso que eu digo do assunto'', resumiu Brizola em recente visita a Londrina. ''Sinceramente foi um período tão infame, período tão triste da nossa história, que todos os momentos são interligados'', concluiu.
Brizola somente voltou ao Brasil no dia 6 de setembro de 1979. Três anos depois, foi eleito governador do Rio de Janeiro. Em 1989 e 1994, concorreu à presidência da República, mas nunca disputou um segundo turno. (C.O.)

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