DNER vira moeda de troca eleitoral
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terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) será o principal guichê dos políticos em 1998, ano das eleições. O dinheiro livre para investimentos no DNER foi ampliado pelo Congresso de R$ 2,4 bilhões, previstos na proposta de Orçamento do governo, para R$ 3,1 bilhões. Esse valor corresponde ao dobro do que foi destinado nos últimos anos para o órgão.
Alvo de denúncias de corrupção, o DNER corre o risco de ter sua diretoria substituída em breve. O próprio ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, a quem a diretoria é subordinada, teria relatado ao presidente Fernando Henrique Cardoso na semana passada, segundo a revista Veja desta semana, vários indícios de ligações dos cinco diretores do DNER - todos, como Padilha, indicados pelo PMDB - com empreiteiras.
A assessoria do ministro confirma que deve haver mudanças no órgão, mas elas só começarão a ser estudadas a partir de quinta-feira, quando Padilha retorna da Alemanha. O Congresso deve resistir à troca de diretoria. Isso porque o aumento da verba do DNER em R$ 676 milhões - uma exigência da bancada do PMDB - foi negociada pela Comissão Mista de Orçamento com a atual diretoria.
Esse dinheiro foi distribuído para as emendas individuais e coletivas dos parlamentares interessados em garantir construção e recuperação de estradas em seus redutos eleitorais. Em seu relatório final, o deputado Aracely de Paula (PFL-MG) assegurou recursos no Orçamento até para rodovias que estão sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Além de não estabelecer com clareza uma referência de preço para as obras rodoviárias, o Orçamento do DNER para 98 reserva milhões para atividades difíceis de serem fiscalizadas. Somente com estudos e projetos para construção, restauração e adequação de estradas serão gastos cerca de R$ 50 milhões. A manutenção da sinalização e dos postos nas rodovias irão consumir outros R$ 60 milhões.
No total, a proposta de Orçamento aprovada pelo Congresso na semana passada aumenta em R$ 2,4 bilhões - de R$ 8,4 bilhões para R$ 10,8 bilhões - a verba reservada para obras. Depois do DNER, o campeão de investimentos é o Ministério do Planejamento, com R$ 1,4 bilhão. No Planejamento, estão os programas de habitação e saneamento. Em seguida, vêm o Ministério do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, que administra as verbas contra a seca, e o Ministério da Saúde.


