DNER já é alvo de 7 sindicâncias
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terça-feira, 13 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaPadilha: demissões de toda a diretoriaO ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, abriu ontem mais uma sindicância para investigar denúncias contra a diretoria do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). O departamento teria contratado para o serviço Telestrada, sem licitação, uma empresa pertencente à mulher de um dos empresários beneficiados pelas irregularidades. Ao todo, estão em andamento sete sindicâncias. O ministro pretende levar as conclusões ao presidente da República na primeira semana de fevereiro para que seja tomada a decisão de demissão da diretoria quando termina o prazo para as investigações.
O Ministério dos Transportes terá a conclusão sobre cinco denúncias no dia 22. A sindicância instaurada ontem deverá ser concluída em 15 dias, e a expectativa de assessores do ministro é que não seja prorrogada. Padilha aguardará ainda a conclusão da sindicância que investiga o pagamento R$ 4 milhões para o tratamento dentário de 300 funcionários à empresa Dent-Clim, prevista para 2 de fevereiro.
Somente depois da comprovação formal das acusações aos diretores do DNER, Padilha deverá pedir a demissão dos diretores. Todos foram indicados por políticos do PMDB, e a possibilidade de afastamento gerou protestos de parlamentares do partido. Os parlamentares acusam ser uma manobra de outros partidos aliados ao governo para assumir a direção do órgão. A demissão pura e simples, com base nas denúncias e sem uma conclusão da comissão de sindicância, pode comprometer, segundo assessores ligados ao ministro, parte do apoio do PMDB ao governo. O diretor-geral do DNER, Maurício Borges, por exemplo, é uma indicação do prefeito de Contagem (MG), Newton Cardoso.
Uma das sindicâncias investiga conjuntamente o uso de um jato particular da empreiteira Mendes Junior pelo diretor-geral do DNER e o de um helicóptero de uma empresa de ônibus por outro diretor. Outra investigação é sobre a exigência, por parte de um diretor do DNER, de um intermediário para que a IBM recebesse uma dívida de R$ 12 milhões que possuía com o órgão. Também está sendo investigado o contrato de R$ 70 mil mensais para que a Noronha Engenharia fiscalize a Ponte Rio-Niterói. Padilha estranhou o fato do órgão não usar os próprios técnicos neste serviço.
O ministério também investiga denúncia de que o DNER teria assinado contrato, sem licitação, com a empresa OAM para fornecimento de equipamentos de medição de tráfego. De acordo com a última denúncia, a dona da empresa CBGT, Neusa Maritan Mazzaro, contratada para o serviço Telestrada, é esposa do dono da OAM, José Rubens Mazzaro. A última sindicância avalia se o órgão fez um adiantamento do pagamento para a empresa CIM, que ainda não havia iniciado qualquer serviço para o DNER.


