Brasília - Como reação à divulgação de delação premiada que aponta financiamento de sua campanha eleitoral com propina, a presidente Dilma Rousseff ontem que trata-se de um "vazamento premeditado e direcionado" com objetivo de criar um "ambiente propício ao golpe" às vésperas da votação do impeachment no plenário da Câmara. Em mais um evento no Palácio do Planalto transformado em palanque contra o seu afastamento, a petista afirmou que nos próximos dias poderão haver "vazamentos oportunistas e seletivos" e informou que pediu ao Ministério da Justiça que tome medidas judiciais cabíveis.

Segundo ela, "passou de todos os limites" o que chamou de "seleção muito clara de vazamentos" no país. A "Folha de S.Paulo" revelou nessa quinta trechos da delação premiada do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo, que foi sistematizada em uma planilha apresentada à Procuradoria-Geral da República.

"Na trama golpista, gostaria de destacar o uso de vazamentos seletivos. A nossa Constituição Federal garante a privacidade e proíbe vazamentos que hoje são premeditados e direcionados, com claro objetivo de criar ambiente propicio ao golpe", criticou. "Nós poderemos nos próximos dias ter vazamentos oportunistas e seletivos e pedi ao ministro da Justiça a rigorosa responsabilidade por eles", acrescentou.

Em longo discurso, no qual chegou a embargar a voz, a petista voltou a chamar um impeachment sem a comprovação de crime de responsabilidade fiscal contra o presidente de "golpe" e fez questão de frisar que não perdeu ou perderá nem o controle nem o eixo. Ela afirmou ainda que aqueles que defendem o impeachment devem saber que são "imensos os riscos a que submeterão o país" e fez um apelo por um pacto nacional, que envolva uma "urgente reforma política" e o fim das chamadas "pautas-bomba" e a superação da atual crise econômica para voltar a gerar emprego e renda.

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