Divulgação na internet coloca em xeque despesas de senadores
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em meio a uma grave crise, o Senado colocou um novo Portal da Transparência na internet, no início da semana, para divulgar detalhes sobre o uso da verba indenizatória. Trata-se de uma quantia de R$ 15 mil por mês para cada um dos senadores gastarem, por exemplo, com aluguel de imóveis para escritório político (e despesas relacionadas ao local), locomoção, hospedagem, alimentação, combustível, despesas postais, internet. Os detalhes das despesas efetuadas, contudo, podem colocar em xeque o uso que se faz da verba indenizatória. Levantamento feito pela Reportagem com base nas informações colocadas no novo Portal da Transparência revela que determinadas despesas, da forma como aparecem na internet, mereceriam ser justificadas pelos senadores.
A conclusão é do cientista político Sérgio Braga, da Universidade Federa l do Paraná (UFPR), ao comentar os dados levantados. Entre os gastos do senador Flávio Arns (PT) com a verba indenizatória relativos aos meses de abril, maio e junho, por exemplo, estão mais de R$ 1 mil pagos à empresa Brasília Alvorada Hotel. Mas senadores que recebem auxílio-moradia do Senado, caso do petista, não podem se hospedar em hotéis localizados na cidade de Brasília. A assessoria de imprensa de Arns explica, contudo, que as despesas devem ser referentes à alimentação (já que o hotel oferece refeições a não hóspedes) ou à hospedagem de assessores do senador.
A dúvida não foi esclarecida ontem, até o fechamento da edição, mas o cientista político comenta que o ideal seria a divulgação na internet também das notas fiscais em pdf das despesas, detalhando o serviço pago pela empresa e o nome do benefi-ciário. Segundo Braga, o novo Portal da Transparência do Senado representa um avanço substancial, mas as notas fiscais devem ser o próximo passo.
No caso do senador Osmar Dias (PDT), o cidadão que entrar no novo Portal da Transparência vai encontrar uma soma de mais de R$ 2 mil com churrascarias, referentes aos meses de abril e maio (as despesas de junho do pedetista ainda não constam na internet). A assessoria de imprensa de Osmar não sabia dar detalhes sobre tais despesas ontem e recomendou que a Reportagem falasse direto com o senador. O pedetista não foi encontrado.
Já o senador Alvaro Dias
(PSDB) abriu mão da verba indenizatória desde abril. A decisão, segundo a assessoria de imprensa do tucano, ocorreu na época em que havia suspeita de uso irregular da verba indenizatória por parte de outros senadores.
Embora considere alto hoje o valor da verba indenizatória, Braga ressalta que o importante é a prestação de contas. Senadores têm suas bases em outras regiões, precisam se deslocar, têm gasto com alimentação, mas é preciso divulgar, afirma ele. Um dos motivos para dar transparência, segundo ele, seria o controle social dos gastos. Acho que vai diminuir os eventuais abusos. Eles vão ter mais cuidado, acredita ele.


