Divisão marca disputa pelo diretório do PT
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Duas chapas e uma candidatura avulsa estão na disputa pelo diretório municipal do PT. O prazo para a inscrição dos candidatos às eleições que serão realizadas no dia 18 de setembro se encerrou ontem às 20 horas, e foi cercada de confusão e expectativa após a desistência do vereador Gláudio Lima (PT) (leia nesta página).
Por volta das 18 horas, o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja, foi até a sede do partido, no Calçadão, para registrar a chapa ''Lado do Bem''. No entanto, o registro somente foi efetivado mais de uma hora depois. Segundo Urbaneja, membros do partido queriam que, antes do registro, ele assinasse uma notificação de suspensão partidária por 60 dias, o que o impossibilitaria de entrar na disputa. A suspensão segunda em menos de um mês teria sido aplicada no dia 19, após o recebimento, no mesmo dia, de um pedido de providências contra Urbaneja por infrações ao estatuto do partido. ''Houve um impasse. Esse processo de suspensão é 'divino'. Mais uma vez sou acusado de uma coisa que ainda não sei, mas com certeza esse é um procedimento anti-democrático, anti-ético'', atacou.
Segundo o secretário-geral do diretório, Paulo Lima, a candidatura de Urbaneja ainda poderá ser contestada. ''De acordo com o regulamento de processo de eleição, há várias etapas. O primeiro é o registro mas depois abre-se prazo para recursos, conferência de regularidade, etc'', esclareceu.
O presidente do diretório, Jacks Dias, admitiu que as suspensões de Urbaneja podem dar a impressão de que não o querem na disputa. ''Pode parecer mas não foi de iniciativa da Executiva Municipal. Foi de filiados do partido que se manifestaram compreendendo que a postura desse filiado não deva estar à frente do partido. Talvez isso tenha impulsionado essas pessoas a fazerem essas denúncias neste momento.''
O grupo apoiado pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) e por Dias registrou a chapa ''Construindo Londrina'', quinze minutos antes do fim do prazo. O substituto de Gláudio na chapa é o atual diretor administrativo-financeiro da Cohab, Antonio Carlos Kasprovicz. O candidato, filiado ao PT há 23 anos, disse não ter ficado surpreso com a indicação. ''Praticamente todas as forças políticas organizadas do PT em Londrina estão integrando nossa chapa. É uma chapa de construção do partido que busca uma unidade partidária'', afirmou Dias.
Kasprovicz admitiu que o processo de eleição no PT ''não está muito normal''. ''Marcelo Urbaneja vem criando problemas para a marca PT desde o começo do ano, desde quando ele liderando uma categoria resolveu fazer um ataque direto ao partido. Isso é uma postura individual dele que deve ser avaliada no conjunto partidário, então é um processo que eu não diria muito normal porque há um desrespeito a uma série de deliberações partidárias. Ele resolveu assumir essa postura e vai responder por elas internamente e agora quer trazer esse debate para o PT. Até o dia 18 de setembro vamos estar fazendo esse debate'', disse. Kasprovicz não assumiu se irá ou não recorrer da candidatura de Urbaneja. ''Se ela (candidatura) não estiver de acordo com o regulamento, qualquer filiado pode estar fazendo isso (recorrendo)'', finalizou. Vilson Machado registrou candidatura avulsa. A Folha não conseguiu localizá-lo.


