O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Emil Tomás Gonçalves, condenou o ex-vereador Orlando Bonilha por improbidade administrativa e à devolução de nove repasses no valor de R$ 830 cada. Ele é acusado de ter recebido os valores entre abril e dezembro de 2004, ao ficar com metade dos salários do ex-servidor comissionado Adilson Marques.
Segundo a acusação do Ministério Público, o funcionário foi nomeado por Bonilha para o cargo de Assistente de Áudio e Vídeo por sugestão de Márcio de Mello Piornedo, que também é réu na ação e foi condenado.
A condição para a nomeação era o repasse de um percentual do salário para Bonilha. Pela denúncia, Piornedo, por vezes, recebia o valor, mas repassava ao ex-vereador.
A comprovação dos repasses foi feita com base em extratos da conta de Marques, que indicam saques que variam de R$ 800 a R$ 1.000 logo após o pagamento.
A promotoria de Justiça também acusou o parlamentar de ficar com parte dos salários dos assessores Marcelo Mendes, Rosângela Aljarilla de Souza Paiva e Terezinha Vieira da Silva, entre fevereiro de 2003 e dezembro de 2006. O enriquecimento ilícito passaria de R$ 126,4 mil, segundo a acusação.
Nos autos, a defesa de Bonilha nega o recebimento dos valores e que a versão de Marques é repleta de contradições. Além disso, saques de salários são corriqueiros para qualquer trabalhador e os outros assessores negaram ter repassado parte de seus vencimentos ao acusado.
A defesa de Piornedo nega tanto a indicação do comissionado quanto a entrega de parte do salário de Marques para Bonilha. Também diz que as declarações dele são inconsistentes e destituídas de provas.
Porém, na sentença proferida em 9 de setembro, o juiz Emil Tomás Gonçalves considerou que houve repasse de parte do salário de Marques, mas não dos outros três comissionados.
O magistrado condenou os dois réus ao ressarcimento integral dos danos do repasse irregular de parte do salário; perda de função pública e dos direitos políticos; e proibição de contratar com o poder público.
Ainda cabe a Piornedo multa civil no valor da soma dos repasses atribuídos a Orlando. No caso do ex-vereador, a multa é equivalente ao dobro do valor percebido.

Outro lado
O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, diz que vai recorrer da decisão. Ele admite que Adilson Marques entregava metade de seu salário, mas não para o ex-vereador – pela versão da defesa, o valor ia para o Partido da República (PR), pelo qual Bonilha foi eleito. "Isso é algo normal com cargos comissionados. Parte dos salários vai para o partido", afirma.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Piornedo.

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