Divisão de salário gera condenação de Bonilha
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Londrina (CML) Orlando Bonilha foi condenado a sete anos e um mês de prisão, em regime semiaberto, por ter exigido parte do salário do então controlador da Casa, José Alfredo de Paula Junior. Bonilha foi condenado pelo crime de concussão uso do cargo para exigir vantagem indevida porque recebeu R$ 2 mil por mês entre março de 2006 e dezembro de 2007, conforme a sentença, mediante ameaça de demissão do comissionado. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
De acordo com a condenação, assinada pela juíza da 4ª Vara Criminal de Londrina, Claudia Andrea Bertolla Alves, "é robusta e coesa" a prova do crime praticado pelo ex-presidente do Legislativo. Em depoimentos ao Ministério Público (MP) do Paraná e à Justiça, cujos trechos constam da sentença, José Alfredo confirmou que Bonilha o abordou dois meses depois da nomeação dizendo que todos os nomeados "ajudavam a custear as despesas do gabinete" e que o então presidente "deixou claro que se não aceitasse colocaria outra pessoa no lugar".
Embora Bonilha tivesse deixado a presidência da Câmara em 2006, ele teria mantido as cobranças para que o controlador continuasse a repassar parte do salário, porque ainda poderia exigir a demissão dele do cargo. O pagamento foi encerrado no começo de 2008, quando estouraram escândalos de corrupção envolvendo Bonilha e outras parlamentares. Pressionado, o ex-vereador renunciou ao mandato. Na época, ele estava no PR.
No depoimento em juízo sobre a divisão do salário, Bonilha negou as ameaças e disse que o assessor "voluntariamente" repassava parte dos vencimentos de controlador para o partido (o PR), presidido pelo político. O argumento é reforçado pelo advogado Ronaldo Neves, que defende o ex-presidente da Câmara. "É assim que funciona, e era a regra na Câmara (a ajuda ao partido). Desde que seja voluntário, com o consentimento dos comissionados, não tem nada de ilegal."
Neves negou que Bonilha tenha ameaçado José Alfredo, "pois sempre tiveram bom relacionamento, tanto que o controlador foi nomeado pelo Bonilha". Quanto às afirmações da vítima de que sofria pressão para entregar o dinheiro, o advogado contestou. "Não havia oposição dele. Eu levei provas ao processo de que esse dinheiro era para ajudar o partido e vou renovar essas razões agora no recurso que vamos apresentar."


