O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Londrina (CML) Orlando Bonilha foi condenado a sete anos e um mês de prisão, em regime semiaberto, por ter exigido parte do salário do então controlador da Casa, José Alfredo de Paula Junior. Bonilha foi condenado pelo crime de concussão – uso do cargo para exigir vantagem indevida – porque recebeu R$ 2 mil por mês entre março de 2006 e dezembro de 2007, conforme a sentença, mediante ameaça de demissão do comissionado. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
De acordo com a condenação, assinada pela juíza da 4ª Vara Criminal de Londrina, Claudia Andrea Bertolla Alves, "é robusta e coesa" a prova do crime praticado pelo ex-presidente do Legislativo. Em depoimentos ao Ministério Público (MP) do Paraná e à Justiça, cujos trechos constam da sentença, José Alfredo confirmou que Bonilha o abordou dois meses depois da nomeação dizendo que todos os nomeados "ajudavam a custear as despesas do gabinete" e que o então presidente "deixou claro que se não aceitasse colocaria outra pessoa no lugar".
Embora Bonilha tivesse deixado a presidência da Câmara em 2006, ele teria mantido as cobranças para que o controlador continuasse a repassar parte do salário, porque ainda poderia exigir a demissão dele do cargo. O pagamento foi encerrado no começo de 2008, quando estouraram escândalos de corrupção envolvendo Bonilha e outras parlamentares. Pressionado, o ex-vereador renunciou ao mandato. Na época, ele estava no PR.
No depoimento em juízo sobre a divisão do salário, Bonilha negou as ameaças e disse que o assessor "voluntariamente" repassava parte dos vencimentos de controlador para o partido (o PR), presidido pelo político. O argumento é reforçado pelo advogado Ronaldo Neves, que defende o ex-presidente da Câmara. "É assim que funciona, e era a regra na Câmara (a ajuda ao partido). Desde que seja voluntário, com o consentimento dos comissionados, não tem nada de ilegal."
Neves negou que Bonilha tenha ameaçado José Alfredo, "pois sempre tiveram bom relacionamento, tanto que o controlador foi nomeado pelo Bonilha". Quanto às afirmações da vítima de que sofria pressão para entregar o dinheiro, o advogado contestou. "Não havia oposição dele. Eu levei provas ao processo de que esse dinheiro era para ajudar o partido e vou renovar essas razões agora no recurso que vamos apresentar."

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