Agência Estado
De Brasília
A divisão dos cargos de relator e de sub-relatores do Plano Plurianual de Investimentos (PPA) entre o PSDB e o PMDB poderá ser o caminho para acabar com a rivalidade dos partidos da base aliada, que estão brigando por posição de destaque no programa milionário do governo de investimentos até 2002. Elaborados para cumprir uma formalidade constitucional, os últimos planos plurianuais do governo não incitavam a disputa partidária. Hoje, ao contrário, o interesse tem relação com a força política que o plano assumiu com a decisão do presidente de usá-lo como marca da administração.
‘‘Esse PPA é diferente’’, afirmou o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). ‘‘Há, agora, uma integração maior entre o PPA e os orçamentos anuais’’, explicou. Nos anteriores, segundo ele, a ‘‘linguagem’’ do plano era diferente da do Orçamento. ‘‘Acho que todos perceberam a importância do PPA porque ele fala da possibilidade de crescimento com taxa de inflação baixa e crescimento de 4%’’, disse Madeira.
Além do PSDB e do PMDB, também o PFL indicou um nome para a relatoria do PPA. O assunto, contudo, somente deverá ser definido numa reunião de líderes convocada para terça-feira pelo presidente de Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘‘Aí veremos’’, disse Magalhães.
Enquanto os partidos da base aliada de FHC travam uma luta pública e de bastidores em torno da relatoria, parlamentares da oposição criticam a situação. ‘‘A briga central aqui no Congresso sempre foi para relatar o Orçamento’’, lembra líder do PT na Câmara, José Genoino (SP). ‘‘Agora, o PPA virou marketing político e todo mundo da base quer ser coadjuvante.’’
‘‘Os partidos aliados querem fazer parte da fantasia, que é fazer a população acreditar que existe R$ 1,1 trilhão para ajudar o povo brasileiro’’, disse o deputado Vivaldo Barbosa (PDT-RJ). ‘‘Esse dinheiro ainda sequer é realidade; ele não existe à disposição’’, afirmou.

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