Dívidas do PR paralisam dez obras em Londrina
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
Dez obras públicas em Londrina estão paralisadas, a maioria em etapa final, por falta de repasses do governo do Paraná. Balanço divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) mostra que os valores em atraso ultrapassam R$ 2,2 milhões. Os credores são seis construtoras locais e algumas obras estão paradas há seis meses.
De acordo com o vice-presidente de obras públicas do Sinduscon, Roberto Hirazawa, em setembro de 2013 os empresários notaram lentidão nos pagamentos efetuados pelo Estado e começaram a diminuir o ritmo das obras. Nos meses seguintes, veio a paralisação completa, prevista em contrato após 90 dias de atraso no pagamento. "Houve uma reunião com o governo, da qual participou um representante nosso, e eles disseram que o motivo dos atrasos era o aguardo da votação de um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para liberar empréstimos", relata.
Segundo ele, o governo se comprometeu em divulgar um cronograma de pagamento dos fornecedores até a semana passada, o que não ocorreu. Hirazawa ressalta que a prestação de serviços para órgãos públicos tem suas dificuldades previstas, no entanto, o limite foi ultrapassado. "Estamos acostumados com atrasos de 30 dias, mas, neste caso, há situações de até seis meses", compara.
Segundo o relatório do Sinduscon, as obras afetadas são, em sua maioria, reformas e pequenos reparos. Hirazawa diz que a substituição de esquadrias metálicas em edificações da Universidade Estadual de Londrina (UEL) trata-se de uma das poucas paralisadas em estágio inicial. "Por serem obras pequenas, as construtoras preferiram tocar, porque a dor de cabeça é maior se paralisar", acredita.
Dentre as dores de cabeça para os empresários está o pagamento ou desligamento de funcionários. "Acredito que tenham acontecido demissões (em virtude da paralisação) e alguns empresários chegaram a pegar empréstimos bancários para honrar esses compromissos", revela.
As obras afetadas pela falta de pagamento do Estado e seus respectivos saldos credores são: substituição e reparos de esquadrias metálicas em edificações da UEL (R$ 165,3 mil); laboratório de química da UEL (R$ 621,1 mil); reforma do Hospital Zona Sul (R$ 72,9 mil); construção do Biotério Experimental da UEL (R$ 198 mil); reforma do Centro de Sócio-Educação Cense II (R$ 73,1 mil); reforma do espaço físico da 17ª Regional de Saúde (R$ 27,1 mil); reparos na cobertura de barracão de armazenamento de medicamentos (R$ 30 mil); reforma e ampliação do Centro de Materiais e Centro Cirúrgico do HU (R$ 290,8 mil); fase 2 da construção de salas de aula do HU (R$ 405,3 mil); manutenção elétrica no campus da UEL (R$ 341 mil).
Procurada pela FOLHA, a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu não negou a existência dos atrasos, informando que está fazendo "todo o esforço para regularizar, no menor prazo possível, a situação". Segundo o governo, o diagnóstico das contas a pagar, que deve ser apresentado pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) até a próxima semana, inclui essas obras, além de outras contas com fornecedores, também em atraso. Ainda de acordo com a administração estadual, os técnicos da Sefa teriam pedido um prazo maior para concluir o balanço, de forma a garantir um encaminhamento com todas as soluções. (colaborou Mariana Franco Ramos/Reportagem Local)


