Dívidas desafiam os novos prefeitos
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terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha De Umuarama 
A nova safra de prefeitos que inicia os mandatos ainda vai demorar para dar a largada aos trabalhos essenciais. Primeiro eles precisam colocar a casa em ordem, equilibrar as contas e amenizar o peso dos cabides de emprego. Na região de Umuarama, Noroeste do Estado, a situação é crítica na maioria dos municípios. Os rombos, no entanto, só são denunciados onde se elegeram candidatos de oposição, que se excitam em mostrar a realidade deixada pelos antecessores, às vezes com alguns acréscimos. Máquinas e veículos estão sucateados, há vários meses de salários atrasados e a capacidade de endividamento está praticamente esgotada.
Quem saiu, esquiva-se de culpa e responsabiliza o governo federal pelo desastre que teriam provocado. Quem está começando quer saber de mostrar a situação à comunidade e completar o trabalho com batidos antes e depois. Entre os municípios com a situação mais crítica está Vila Alta. O agricultor e ex-vice-prefeito Marcos de Paula Faria (PDT) assumiu uma prefeitura ainda engatinhando, com cinco anos de existência e quebrada. A ex-prefeita Dayze Meyre Jardim (PPB), cassada uma vez e afastada outras três pela justiça, deixou dois meses de salários e o 13º atrasados, fora uma dívida de R$ 526 mil. O município arrecada R$ 180 mil mensais, em média.
O médico Décio Jardim (PFL), irmão da ex-prefeita de Vila Alta, retornou à prefeitura dando de cara com um saldo negativo de R$ 700 mil - quatro vezes a arrecadação mensal do município. Seu antecessor, Pedro Lopes, nem sequer entregou-lhe os balancetes no dia da posse. Lopes, que trabalha como enfermeiro, reconhece que não fez uma boa administração.
Até hoje, Pérola se orgulha de sua infra-estrutura. Cerca de 70% da cidade é servida por asfalto, por exemplo. A prefeitura, que deveria ser um reflexo direto desse orgulho, é um barco furado. As contas do município estão bloqueadas desde novembro pela justiça para o pagamento dos servidores, atrasado desde novembro. O 13º também não foi pago. Foi por isso que o juiz substituto José Orlando Bremer mandou bloquear 100% de todo o dinheiro que entrasse nas contas da prefeitura. Até então, o bloqueio atingia somente 60% da arrecadação.
O prefeito Valdecir Cândido da Silva (PFL) saiu do sério e deu uma ordem de magistrado. Mandou fechar as portas da prefeitura e interromper o atendimento à comunidade. Um dia depois foi procurado pelo Sindicato dos Servidores, que fez o pedido de bloqueio ao juiz e fechou negociação para quitar a folha. Silva calcula que o município deve R$ 2,6 milhões, incluindo despesas com fornecedores e funcionários.
Em Icaraíma, outro médico-prefeito grita contra a situação financeira deixada pelo antecessor. Hosny Sérgio Iankouke dos Santos (PSDB), o popular Dr. Téo, acusa o ex-prefeito João de Paula de ter mentido para a comunidade e a Câmara ao prestar contas frias. Santos diz que o município deve R$ 1,1 milhão. Desse valor, diz ele, pouco mais de R$ 414 mil foram gastos só em dezembro.
A assessoria de Santos chegou a constatar que secretárias do ex-prefeito, que ganhavam R$ 940, retiraram R$ 7,5 mil em dezembro. Se esses salários não forem ilegais, com certeza são imorais, observa o prefeito, adiantando que pretende ir à justiça pedir a devolução dos valores, caso a retirada a mais não seja explicada. O salário dos servidores de Icaraíma está em dia graças a um empréstimo feito junto ao Fundo de Assistência Previdenciária.


