Dívida pública foi preocupação comum
Curitiba Aparentemente, as administrações Alvaro Dias e Roberto Requião buscaram controlar as finanças públicas e não contrair mais dívidas. A avaliação é do professor de Finanças Públicas da UFPR, Demian Castro, doutorando na Universidade de Campinas (SP), a Unicamp. Segundo ele, a postura dos dois ex-governadores, de austeridade nas contas, aconteceu forçada pela realidade da economia brasileira na época.
''O quadro econômico naquela época era dos piores, foi muito atribulado. No governo do presidente José Sarney houve descontrole dos preços, recessão. A inflação e a dívida pública no País eram elevadíssimas'', lembra. ''Isso afetou os estados, boa parte deles viveu em crise'', emendou. Diante desse cenário, os então governadores do Estado não tiveram escolha a não ser puxar as rédeas e evitar operações de crédito. Mesmo assim, foram inevitáveis alguns empréstimos junto ao Banco Mundial (Bird) e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
No Paraná, continua o professor, a situação financeira era delicada. ''Com Alvaro, começou um processo de ajuste nas contas. Requião continuou, na tentativa de segurar a dívida. De 1987 a 1994 foi um período de arrumar a casa'', observou. Segundo ele, Requião destacou-se pela austeridade fiscal.
O fechamento do Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep), feito por Alvaro, é apontado por Castro como um fato de sérias implicações econômicas, pois o banco era importante para fomentar o desenvolvimento do Estado, de acordo com o professor. ''Mas ele buscou melhorar a arrecadação, e fez uma minirreforma administrativa na administração indireta'', comentou.
De forma geral, Castro avalia que há mais elementos de continuidade do que de ruptura de uma gestão para outra. Entre as particularidades, o professor observa que Requião começou a articular esforços para adaptar o Estado ao Mercosul, e privilegiou, mais do que Alvaro, investimentos na área social.
Outros economistas ouvidos pela Folha, que preferiram não se identificar por terem trabalhado nas equipes de Alvaro e Requião e ainda manterem laços com eles, concordam com a análise de Demian Castro. De forma geral, os economistas consultados pela reportagem observam que Alvaro priorizou a infra-estrutura, enquanto Requião deu mais atenção à área social.
Os investimentos destinados por ambos a diversas áreas foram similares. Eles construíram praticamente o mesmo número de casas populares (Requião 50 mil e Alvaro 54 mil), e investiram montantes próximos no Transporte. Alvaro aplicou US$ 1,1 bilhão, e Requião US$ 750 milhões.
Um episódio bastante relembrado na gestão Requião foi a comercialização das ações da Telepar em bolsa. Em dois leilões que duraram aproximadamente uma hora, o governo do Estado negociou na Bolsa de Valores todas as ações da Telepar em seu poder. Foram comercializadas 156.525.545 ações da empresa.(M.D.)





