Dívida do Grêmio de servidores chega a R$ 1 milhão
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quarta-feira, 01 de junho de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O atual presidente do Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina, Luiz Bispo, declarou ontem à Comissão Especial de Investigação (CEI) que a dívida da entidade com seguradoras é de pelo menos R$ 224 mil. O valor é o dobro do informado pelo ex-presidente, Glenisson Rodrigues, no depoimento prestado aos vereadores na última segunda-feira.
Bispo compareceu à reunião, aberta à imprensa, com o advogado, o tesoureiro e o contador do Grêmio. Eles entregaram a quatro membros da CEI um dossiê contendo os resultados de uma auditoria terminada este ano e que compreende os anos de 1996 a 2004, referentes a uma gestão e meia de Rodrigues (no cargo por 10 anos).
De acordo com Bispo, o levantamento teria apontado um desfalque de quatro parcelas de R$ 49 mil cada com a Boa Vista Seguros, da Bradesco em Curitiba, e quatro de R$ 7 mil cada uma com a ABS Seguros, da Bradesco em Londrina. De sua gestão, afirmou, as dívidas seriam apenas as duas últimas mensalidades não pagas à Real Seguradora, em função da suspensão do repasse pela Prefeitura, além de R$ 54 mil com a ABS. Em depoimento à CEI, uma funcionária da empresa disse que o débito seria de R$ 97 mil, mas Bispo atribui ao antecessor os R$ 43 mil que faltam.
O presidente do Grêmio também contestou as declarações de Rodrigues de que teria pago dívidas trabalhistas e obras de infra-estrutura nos vestiários com dinheiro de seguro. ''A reforma no vestiário ficou irregular, nem planta tinha, tanto que o Crea (Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo) nos multou em R$ 27 mil'', citou, para completar: ''Hoje a entidade tem uma dívida de pelo menos R$ 1 milhão''.
Segundo o auditor e contador Carlos Alberto Rodrigues, a maior parte desse montante é de dívidas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). ''O Ministério do Trabalho nos autuou em R$ 481 mil. Se ele (Glenisson Rodrigues) diz que pagou alguma dívida trabalhista, não temos qualquer comprovação disso'', denunciou.
Os integrantes da atual gestão reconhecem ter responsabilidade em parte da dívida de R$ 1 milhão. Entretanto, eles não souberam afirmar à CEI de quanto seria essa porcentagem na qual está incluída a dívida com a ABS. Questionado se em algum momento usou verba de seguro para alguma outra finalidade, Bispo negou. Porém, ressalvou que de dois meses (setembro e outubro de 2004) não repassados pela Prefeitura ele tirou os 10% de pró-labore, nos repasses posteriores, para pagamento de contas de água e luz do Grêmio.
Para o presidente da CEI, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), o depoimento de ontem foi válido na medida em que nenhuma pergunta ficou sem resposta. Mesmo assim, o parlamentar salientou que os números apresentados até agora estão ''confusos''. ''Não está nada muito preciso, até porque a Bradesco de Curitiba ainda não nos respondeu'', apontou. Tamarozzi adiantou que os próximos passos da Comissão vão depender da análise de todos os depoimentos prestados até agora além dos desta semana, há ainda o de uma funcionária da ABS e do aposentado Mauro Lúcio de Oliveira, autor da denúncia de apropriação indébita à Câmara e à Promotoria de Investigações Criminais (PIC).


