Curitiba - Uma nova exigência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para liberar o empréstimo de R$ 817 milhões do Proinveste ao Paraná surpreendeu o governo do Estado, que contava com o depósito esta semana, já que os trâmites burocráticos foram cumpridos. O BNDES alegou não poder liberar o recurso ao Paraná pelo fato de ser credor de cerca de R$ 2 bilhões do Estado no processo de liquidação do Banco de Desenvolvimento do Paraná (Badep), em 1991. Ao invés de depositar o dinheiro, o BNDES formulou nova consulta à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) sobre a condição do Paraná.
A dívida do Badep com o BNDES vem sendo paga sistematicamente pelo banco, de acordo com suas receitas. Em 24 de janeiro, o governo do Paraná sancionou lei aprovada pela Assembleia para que o tesouro do Estado assumisse os débitos e solucionasse o impasse com o BNDES. Com a lei, o governo conseguiu reduzir os juros da dívida e propôs ao banco o pagamento de R$ 426 milhões. Esse contrato ainda está em análise pela STN.
"Eles tentaram vincular a dívida com o Badep com o empréstimo do Proinveste para ver se agilizavam a solução do pagamento. Mas é uma questão que não depende do governo do Paraná e nem do BNDES, está na STN. Não tem relação nenhuma", disse o secretário da Fazenda, Luiz Eduardo Sebastiani. "Estamos preparando uma nova documentação para mostrar os encaminhamentos que já foram dados para a solução da dívida do Badep. É mais importante solucionar logo essa questão do que entrar numa discussão e prolongar ainda mais esse impasse." Ele acredita que até a próxima semana o governo finalmente receba o empréstimo e ressalta que em nenhum momento o Estado ficou inadimplente com o BNDES em função do Badep. "Aprovamos uma lei, a negociação foi feita, assinamos juntos a minuta do contrato. O que falta, agora, é a autorização da STN. Mas, enquanto isso, dentro de sua capacidade financeira, o Badep continuou pagando essa dívida", comentou.
A criação de mais um obstáculo para a liberação de empréstimo ao Paraná irritou os deputados federais da base do governador Beto Richa (PSDB), para quem está clara a intenção do governo federal de prejudicar o Estado com vistas nas eleições de outubro. O deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB) iniciou, ontem, um movimento de retaliação no Congresso. "Já falei com o líder da minha bancada e pedi para a bancada paranaense conversar com seus líderes também. Vamos tentar trancar votações enquanto esse empréstimo não for liberado."

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