A prefeita de Colorado (85 quilômetros ao norte de Maringá), Aparecida Morão Ártico (PFL), 44 anos, decretou ontem moratória por 90 dias. Na sexta-feira, ela havia antecipado à Folha que estudava a medida. A dívida da prefeitura é de R$ 6 milhões. Além de débitos com fornecedores e do atraso no pagamento dos servidores, a prefeita está enfrentando outros problemas como falta de carro oficial e de ambulâncias, prédios de creches sem condição de uso, postos de saúde com deficiência de remédios, médicos e atendentes e ainda cerca de 400 mil metros de vias que, mesmo asfaltadas, estão intransitáveis.
Segundo Cidinha, como a prefeita é conhecida no município, a prefeitura não tem nenhum dinheiro em caixa para pagar os fornecedores, por isso a única alternativa foi decretar a moratória. Ela disse que a prefeitura não tem sequer certidão negativa das contas municipais. ‘‘Estamos trabalhando de dia e de noite para conseguir a certidão negativa porque só através dela é que vamos poder receber recursos estaduais e federais’’, afirmou.
O telefone da prefeitura foi cortado há mais de um ano e, conforme Cidinha, a dívida com a Telepar é de R$ 70 mil. ‘‘Para eu me comunicar com fornecedores tenho que usar o meu telefone celular’’, disse. Segundo ela, os carros oficiais também ‘‘não existem’’. ‘‘Estão todos quebrados, com problemas de câmbio e motor que impossibilitam usá-los’’, afirmou. ‘‘As ambulâncias também não têm condições de uso e estamos encaminhando nossos doentes com carros particulares.’’
Cidinha, que foi secretária de Ação Social há cinco anos, lamentou principalmente a situação das creches. ‘‘Não há alimentos para as creches, vestuário para as funcionárias e os prédios estão em estado lastimável’’, reclamou. Segundo ela, uma creche instalada no distrito Alto Alegre (18 quilômetros de Colorado) está com o forro caindo. ‘‘Não posso abrir as creches do jeito que estão’’. O pagamento atrasado dos cerca de 600 servidores deve absorver R$ 350 mil. (L.P.)

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