A dívida do município de Ponta Grossa (Região dos Campos Gerais) com o INSS hoje seria suficiente para pagar o salário de todos os funcionários da prefeitura por um período de dez meses, aproximadamente. O débito passa dos R$ 39 milhões e a dívida vem das administrações anteriores.
De 1993 a 1996, no governo de Paulo Cunha Nascimento (PPB), a dívida acumulada era de R$ 7 milhões. Já nos quatro anos de administração de Jocelito Canto (PSDB), que foi de 1997 a 2000, deixaram de ser recolhidos ao INSS R$ 32 milhões.
Um ano antes de entregar seu mandato, Canto buscou a renegociação da dívida. Conseguiu parcelar em 20 anos a maior parte do débito, com o compromisso de honrar o restante da dívida doando um terreno e executando a construção de uma nova sede para o INSS na cidade. O terreno e a obra foram orçados em cerca de R$ 4,2 milhões e a obra deveria ser concluída em setembro deste ano.
Mas o cronograma, tanto da obra quanto do parcelamento, não foi respeitado. Somente em cinco dos últimos 15 meses do mandato de Canto houve repasses para a obra e nem todos no valor programado para o respectivo mês. O resultado é que, pelo cronograma, nesse período deveriam ter sido investidos R$ 1,5 milhão na obra, mas na realidade o investimento foi de pouco mais de R$ 300 mil.
O pagamento das parcelas da maior parte da dívida também foi deixado de lado. ‘‘Só nessa gestão já pagamos mais do que a administração anterior nos seus últimos dois anos’’, alega o secretário de Finanças de Ponta Grossa, Roberto Barbosa. E a conclusão do prédio, que estava prevista para setembro deste ano, também foi renegociada. A atual administração conseguiu mais 15 meses de prazo e a obra deve ser entregue em março de 2003.
A atual administração também herdou um dívida de R$ 7,7 milhões referente ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Barbosa fez as contas e constatou que com os valores devidos em INSS e FGTS, a prefeitura poderia construir 94 escolas com quatro salas de aula, banheiros e demais dependências, ou então comprar 557.692 cestas básicas que seriam suficientes para entregar a todos os funcionários da prefeitura, por um período de 19 meses, ou ainda para construir 3.625 casas populares.

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