A vitória dos prefeitos nas eleições do ano passado pode não ter sido um bom negócio para muitos políticos com sede de chegar ou manter-se no poder. Quinze dias depois de terem tomado posse, grande parte deparou-se com dívidas maiores que a receita do município. Levantamento feito pelo Departamento da Dívida Pública (Dedip) do Banco Central (BC) aponta que a dívida total dos 399 municípios do Paraná é de R$ 1,605 bilhão, levando-se em conta as administrações direta e indireta.
Entretanto, a cifra – que é pouco superior ao orçamento da capital para este ano, de R$ 1,5 bilhão – se refere apenas às dívidas junto a instituições financeiras e ao Tesouro Nacional. Não estão incluídos, portanto, débitos das prefeituras com empresas fornecedoras e outras pendências financeiras.
Assim, os prefeitos, antes de sonharem em adequar as finanças da cidade à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), terão que – pelo menos – reduzir os débitos. Eles têm prazo até o dia 30 deste mês para entregarem ao Tribunal de Contas (TC) um relatório com a contabilidade das prefeituras. Depois vem a parte mais difícil: tentar resolver, ou reduzir os problemas em quatro anos de gestão.
Os maiores municípios do Estado concentram R$ 1,2 bilhão de débitos. Curitiba tem a maior dívida, de R$ 740 milhões (R$ 355 milhões de administração direta e R$ 385 milhões da indireta). Em seguida está Londrina, com R$ 312 milhões, sendo R$ 309 milhões da administração indireta e apenas R$ 3,9 milhões diretos. Maringá tem débitos de R$ 123 milhões, R$ 101 milhões diretos. Foz do Iguaçu acumula dívidas de R$ 19 milhões, Cascavel R$ 14 milhões e Ponta Grossa R$ 10,5 milhões, todos de administração direta.
Entre as menores dívidas apuradas pelo Banco Central estão as de Uraí (26 quilômetros a oeste de Cornélio Procópio), R$ 2 mil de administração direta; São Manoel do Paraná (82 quilômetros a nordeste de Umuarama), R$ 10 mil todos diretos; e Peabiru (12 quilômetros ao norte de Campo Mourão) tem débitos de R$ 58 mil (diretos).
Na Região Metropolitana de Curitiba destacam-se os municípios de Araucária R$ 16,9 milhões; Colombo, R$ 5,9 milhões; Campo Largo R$ 3,7 milhões; Mandirituba, R$ 3,1 milhões e Pinhais R$ 1,9 milhão, todas dívidas de administração direta.
O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), confirma que a dívida é de cerca de R$ 300 milhões. Segundo o prefeito, o restante, em torno de R$ 400 milhões, é formado por débitos dos mutuários da Companhia de Habitação (Cohab). ‘‘Para zerar tudo, são necessários uns 15 anos’’, calculou Cassio, lembrando que os débitos vêm se acumulando há vários anos.
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), está às voltas com uma dívida real de R$ 530 milhões. O petista explica que o maior comprometimento está com os fornecedores, que somam débitos de R$ 90 milhões. O prefeito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto (PT), precisa equacionar uma dívida de R$ 200 milhões – superior ao orçamento de R$ 175 milhões.

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