Brasília - O presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, afirmou ontem, durante depoimento à CPI dos Bingos, que fez o pagamento dos R$ 29.436,26 devidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PT, em dinheiro, por orientação do então tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Segundo Okamotto, se os recursos fossem pagos em cheque, não poderia ser gerado um ''documento contábil'' para dar baixa no débito de Lula com o partido. ''Eu não sei explicar por que não poderia ser com cheque. Apenas fiz o que me foi recomendado por Delúbio'', afirmou.
As declarações do presidente do Sebrae não convenceram os integrantes da CPI, principalmente os senadores da oposição. Para o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), fica claro que havia interesse de Okamoto em quitar a dívida de Lula, já que meses depois ele foi alçado ao cargo que atualmente ocupa, isto é, a presidência do Sebrae.
Em resposta ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), Okamoto afirmou que o Sebrae nunca teve contato com o chamado ''valerioduto''. Ele informou ainda que não tem amizade com Rogério Buratti, advogado e ex-dirigente petista que aponta o envolvimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, no esquema de cobrança de propina na gestão petista da prefeitura de Ribeirão Preto.
Indagado por Virgílio, Okamotto confirmou que estava preocupado com a possibilidade de o prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, vir a ser vítima de um atentado meses antes do sequestro e subsequente morte do prefeito. ''Os boatos de atentado ocorriam principalmente no ABC'', explicou Okamotto.

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